sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Tecnologia

Do dado à liderança: relatório redesenha o repertório profissional esperado para 2030

Estudo destacado no relatório “Core Skills in 2030” mostra como empregadores ao redor do mundo classificam as habilidades que devem ganhar, manter ou perder espaço no mercado de trabalho até 2030.
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A preparação para o mercado de trabalho de 2030 deverá combinar domínio tecnológico, capacidade de análise, criatividade e habilidades de relacionamento. Essa é a direção apontada por um estudo do Fórum Econômico Mundial, destacado no relatório “Core Skills in 2030”, que reúne as competências consideradas mais relevantes pelos empregadores para os próximos anos.

O levantamento organiza as habilidades em quatro grupos: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco. A divisão mostra quais capacidades devem crescer em importância, quais continuarão presentes na rotina profissional e quais tendem a deixar de ser o principal foco do desenvolvimento de trabalhadores.

O novo repertório profissional

Entre as competências classificadas como essenciais para 2030 estão Inteligência Artificial e Big Data, pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança, influência social, alfabetização tecnológica, motivação e autoconsciência.

O conjunto reúne capacidades técnicas e comportamentais. A leitura apresentada no estudo é que o profissional dos próximos anos não dependerá apenas do conhecimento de uma ferramenta ou de uma área específica. Também precisará interpretar informações, responder a mudanças, trabalhar com outras pessoas e manter o próprio desenvolvimento.

A Inteligência Artificial e o Big Data aparecem associados à digitalização dos processos e ao avanço da automação. Nesse cenário, compreender o uso de ferramentas de inteligência artificial e de análise de dados tende a se tornar cada vez mais comum em atividades relacionadas à tomada de decisão.

O pensamento analítico e a criatividade ocupam outra frente importante. A capacidade de interpretar dados, solucionar problemas complexos e desenvolver novas respostas é apresentada como uma competência de valor em um ambiente com processos cada vez mais automatizados.

De acordo com o material, a criatividade humana deverá continuar relevante para a inovação em produtos, serviços e processos. O raciocínio analítico, por sua vez, será necessário para organizar informações e avaliar alternativas diante de problemas que não podem ser resolvidos apenas por procedimentos repetitivos.

Adaptação passa a ter peso maior

Resiliência, flexibilidade e agilidade também aparecem entre as habilidades essenciais. A mudança constante nas demandas do mercado exigirá profissionais capazes de lidar com desafios e responder a novas situações.

O estudo relaciona esse movimento à necessidade de adaptação das organizações. O chamado mindset ágil é apresentado como um dos pilares para ambientes em que processos, ferramentas e prioridades podem se alterar com rapidez.

Essa capacidade de mudança não é descrita apenas como uma exigência individual. Empresas também precisarão preparar suas equipes para acompanhar transformações tecnológicas e novas formas de trabalho. A formação profissional, portanto, passa a ser tratada como um processo contínuo, e não como uma etapa encerrada com a entrada no mercado.

Liderança e tecnologia deixam de ser temas isolados

Liderança e influência social aparecem na relação de competências essenciais para 2030. Conforme o material, a diversificação das equipes e a expansão de ambientes remotos e multiculturais aumentarão a procura por líderes capazes de orientar e motivar grupos.

A liderança, nesse contexto, não está restrita à ocupação de cargos formais. Ela é associada à capacidade de conduzir pessoas, organizar esforços e manter a colaboração em equipes distribuídas em diferentes locais e contextos culturais.

Outra habilidade destacada é a alfabetização tecnológica. O conhecimento básico sobre o funcionamento de diferentes tecnologias deverá fazer parte da rotina de profissionais que não atuam diretamente na área de tecnologia da informação.

Ferramentas digitais, softwares de automação e recursos de análise de dados tendem a estar presentes em diferentes setores. Por isso, o relatório trata a familiaridade com a tecnologia como uma competência que ultrapassa os limites das carreiras tradicionalmente ligadas à informática.

Motivação e autoconsciência entram na lista

O levantamento também inclui motivação e autoconsciência entre as habilidades essenciais. O material relaciona essas capacidades à inteligência emocional, ao gerenciamento das próprias emoções e à disposição para manter o desempenho diante das exigências profissionais.

A autoconsciência é apresentada como um recurso para que o trabalhador compreenda melhor suas reações, reconheça seus limites e administre situações de pressão. Já a motivação aparece ligada à capacidade de sustentar o envolvimento com as atividades e buscar resultados ao longo do tempo.

Com isso, o retrato do profissional projetado para 2030 não se limita ao domínio de conhecimentos técnicos. O conjunto indicado pelo estudo inclui também características relacionadas ao comportamento, à colaboração e à maneira como cada pessoa lida com mudanças.

Competências emergentes ganham espaço

Além das habilidades já consideradas essenciais, o relatório identifica competências emergentes. Cibersegurança e redes aparecem nesse grupo em razão do avanço da digitalização dos negócios e da necessidade de proteger informações e sistemas.

A demanda por conhecimentos nessa área é associada ao crescimento da presença digital das empresas. Quanto mais processos dependem de redes, sistemas e dados, maior tende a ser a importância de profissionais preparados para lidar com segurança da informação.

Gestão ambiental e sustentabilidade também são apontadas como habilidades em ascensão. O material relaciona essa tendência à atenção crescente das empresas às práticas sustentáveis e à necessidade de incorporar a gestão ambiental a diferentes setores da economia.

Outra competência emergente é o design e a experiência do usuário. A forma como consumidores interagem com produtos, serviços e plataformas digitais é apresentada como um fator de diferenciação para marcas e empresas.

Nessa área, o design centrado no usuário busca considerar as necessidades e a experiência das pessoas durante o desenvolvimento de soluções. A habilidade aparece, portanto, ligada ao avanço dos serviços digitais e à importância da relação entre consumidores e tecnologia.

Curiosidade e aprendizado contínuo completam a lista de competências emergentes destacadas no material. Em um ambiente de transformação permanente, a disposição para aprender é apresentada como uma condição para acompanhar novas ferramentas, métodos e demandas.

O que tende a perder centralidade

O estudo também indica habilidades que, embora continuem tendo utilidade, não deverão ser o principal diferencial competitivo no desenvolvimento profissional dos próximos anos.

Leitura, escrita e matemática básica estão nesse grupo. O material ressalta que essas capacidades permanecem fundamentais, mas aponta que ferramentas automatizadas deverão assumir parte das funções relacionadas a elas. Por isso, deixariam de representar, sozinhas, um diferencial no mercado.

Destreza manual e precisão também aparecem entre as competências com tendência de perda de relevância. A justificativa apresentada é o avanço da automação em tarefas que exigem movimentos físicos e habilidades motoras detalhadas, especialmente na manufatura e na indústria.

Atenção aos detalhes e precisão completam a relação. Segundo o conteúdo analisado, sistemas automatizados e soluções de inteligência artificial já assumem tarefas que dependem de alto grau de exatidão humana. Ainda assim, o material observa que essas capacidades permanecem relevantes em algumas áreas.

A classificação não significa que essas habilidades deixarão de existir. A indicação é que elas tendem a ocupar posição diferente na preparação profissional, à medida que ferramentas tecnológicas assumem parte das atividades repetitivas ou baseadas em procedimentos previsíveis.

Aprendizagem contínua como eixo de preparação

A principal conclusão apresentada no material é que o mercado de trabalho de 2030 exigirá profissionais adaptáveis, familiarizados com tecnologia, capazes de inovar e preparados para lidar com aspectos comportamentais das atividades profissionais.

Nesse cenário, o aprendizado contínuo aparece como elemento central. O desenvolvimento de competências como pensamento analítico, criatividade, liderança e alfabetização digital é apontado como parte da preparação para novas oportunidades de carreira.

O mesmo movimento alcança as empresas. De acordo com o texto, organizações que investirem na capacitação de seus funcionários poderão contar com equipes mais preparadas para os desafios associados à economia digital.

O mapa apresentado pelo Fórum Econômico Mundial combina habilidades técnicas, capacidades cognitivas e competências socioemocionais. A divisão entre competências essenciais, emergentes, estáveis e fora de foco oferece uma forma de observar como as expectativas dos empregadores podem influenciar a formação profissional até 2030.

Para os trabalhadores, a mudança indicada pelo estudo envolve a necessidade de manter o conhecimento atualizado e ampliar o repertório ao longo da carreira. Para as empresas, envolve adaptar processos de desenvolvimento e capacitação à velocidade das transformações tecnológicas e organizacionais.

O resultado é um perfil profissional que reúne tecnologia, análise, inovação, liderança, adaptação e inteligência emocional. A preparação para 2030, segundo o material, dependerá da combinação entre essas frentes e da disposição para aprender diante de um mercado em transformação.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário, estudou Liderança da Inovação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Esteve à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

Paiva liderou o planejamento de projetos como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões e coordenou inovações técnicas e administrativas. Também atuou como coordenador-geral de Modernização da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), com participação na gestão de incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus.

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