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Programa Acolher + salva e muda vidas LGBTQIA +, como a de Amanda Vieira

15 de junho de 2026
Programa Acolher + salva e muda vidas LGBTQIA +, como a de Amanda Vieira
Programa Acolher + salva e muda vidas LGBTQIA +, como a de Amanda Vieira
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Política para o fortalecimento de casas de acolhimento de pessoas LGBTQIA+ foi fundamental para a superação do ciclo de violência vivenciado por Amanda, uma mulher trans de Pernambuco

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Afeto e acolhimento Acolher+
(Foto: Duda Rodrigues/MDHC)

“Tudo o que eu precisava quando mais nova era cuidado, alguém que me amasse e me dissesse que ia ficar tudo bem”, conta Amanda Vieira, emocionada. Mulher trans acolhida pela ONG Cores — casa de cidadania que integra o Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+ (Acolher+) em Petrolina (PE) —, ela relata que teve uma juventude difícil devido ao preconceito que enfrentou dentro de sua própria família.

Amanda foi expulsa de casa por ser quem é ainda muito cedo. Quase sem amparo, foi morar com a avó paterna e se viu obrigada a lidar com a dura realidade muitas vezes imposta a pessoas trans em todo o mundo. Ao revisitar o seu passado, ela diz ter sido marcada pela carência por conta da exclusão e do medo de brigas.

“Essas coisas ainda me atingem muito. As brigas entre os meus familiares eram frequentes. Eu não consigo lidar com situações como essa, não consegui amenizar isso. Eu não recebia afeto, era excluída de fotos. Em determinados momentos, eu me perguntava: por que está acontecendo isso?”, relembra.

Com medo de casa, muitas vezes Amanda adiava a volta da escola, onde ficava o máximo de tempo que conseguia. Na mesma época, precisou trabalhar para se manter e carregava restos de comida para receber R$ 2 por semana — orçamento que tinha para suprir suas necessidades básicas.

Reconhecendo a importância da educação, mas convivendo com dificuldades financeiras, a jovem relembra de um episódio com seu cachorro que a marca até hoje. “O nome dele era Dourado. Eu ganhei ele e cuidava bem, era super saudável. Mas tive que vendê-lo para poder comprar o meu material escolar. Naquela época, eu já entendia que precisava manter meus estudos para poder ser alguém na vida, para eu ter respeito e conseguir entrar e sair de onde eu quisesse”, conta Amanda em meio a lágrimas. “Foi uma decisão desesperada. Hoje, sendo independente, jamais se repetiria”, acrescenta.

Afeto e acolhimento

Racionalizando todas as violências que sofreu, Amanda comenta que pessoas trans são vistas por uma parcela da população como algo abominável que não deveria existir. “Durante toda a minha trajetória, eu fui aprender o que é afeto de verdade, o que é acolhimento, o que é carinho, o que é amor, o que é alguém se importar com você, agora, aos meus 18 anos”, enfatiza ela.

(Foto: Duda Rodrigues/MDHC)

Na ONG Cores, ela declara ter encontrado o apoio que nunca recebeu, sendo incentivada a estudar e a se desenvolver. “A sociedade espera que pessoas como eu estejam nas drogas, na prostituição, assumam a marginalidade. Ela não aceita que corpos trans ocupem a universidade, que ascendam socialmente. Durante o ano que residi na Cores, percebi que sim, eu poderia — e vou — acessar esses lugares”.

Atualmente, Amanda é estudante de Teatro e trabalha como recepcionista em um salão de beleza, fazendo bico em um outro estabelecimento de Petrolina de vez em quando. O ingresso no mercado de trabalho deu a ela a oportunidade de trilhar seu próprio caminho, dividindo o aluguel com um amigo.

O Acolher+ e a ONG Cores mudaram a vida de Amanda, e vão continuar mudando a vida de outras pessoas que, assim como ela, precisam de suporte para superarem a crueldade e a violência cometidas contra a população LGBTQIA+.

“Que esse projeto lindo continue e se fortaleça. Ele foi responsável por eu reconhecer que tenho valor e sou uma pessoa maravilhosa, ao contrário do que ouvia em casa. Espero que, assim como eu, outras pessoas tenham a oportunidade que tive de recomeçar por meio do carinho que recebi do Acolher+ e da Cores”, finaliza Amanda.

Acolher+

Instituído pela Portaria nº 755, de 5 de dezembro de 2023, o programa Acolher+ integra a Estratégia Nacional de Enfrentamento à Violência contra Pessoas LGBTQIA+. Trata-se de uma política de fortalecimento das Casas de Acolhimento de pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade e/ou risco social, com vínculos familiares rompidos ou na iminência de seu rompimento em decorrência da discriminação por identidade de gênero, orientação sexual e/ou características sexuais.

Para a presidenta e uma das fundadoras da ONG Cores, Alzyr Brasileiro, existe um antes e um depois das casas de acolhimento com o Acolher+ (Foto: Duda Rodrigues/MDHC)

O apoio às casas da sociedade civil tem sido implementado por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília. A partir de chamadas públicas, são selecionadas iniciativas que já atuam com acolhimento e abrigamento de pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social para serem contempladas com o custeio de materiais de consumo, além de duas remunerações no valor de R$ 2.500 por mês durante um ano, destinadas à colaboração na prestação de serviços nas casas selecionadas.

Para a presidenta e uma das fundadoras da ONG Cores, Alzyr Brasileiro, existe um antes e um depois das casas de acolhimento com o Acolher+. “O apoio do Governo do Brasil, por meio de programas como este é determinante para que a gente consiga manter nossas portas abertas e em pleno funcionamento. Essa política foi um divisor. É um programa incrível que nos permite proporcionar abrigo, alimentos, e uma série de outros direitos à população LGBTQIA+ de Pernambuco”, destaca.

O objetivo central do programa Acolher+ é consolidar a política de acolhimento de pessoas LGBTQIA+ como parte da estrutura permanente do Estado brasileiro. O modelo busca estabelecer as Casas de Acolhimento não apenas como espaços de abrigo, mas também como centros integrados a pontos de cultura, oferecendo ações amplas de cidadania, tais como o atendimento e encaminhamento para retificação de nome e gênero de pessoas trans, travestis e não-binárias, suporte psicossocial, formação educacional e a qualificação para o mercado de trabalho.

Saiba mais sobre o Acolher+ clicando aqui .

Ao reconhecer as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas pela população LGBTQIA+, especialmente por aquelas que vivenciam rupturas familiares e exclusões sociais, o programa Acolher+ reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a dignidade, a cidadania e os direitos humanos. Trata-se de uma iniciativa estratégica para o enfrentamento da LGBTQIAfobia estrutural e para promoção de uma política pública de acolhimento que valorize a vida, celebre a diversidade e contribua para a construção de um projeto de sociedade baseado no pleno exercício da cidadania para todas as pessoas.

Sobre a história de Amanda Vieira, a secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, se emociona e reflete: “Amanda é potência e futuro. Sua história é um exemplo de como nós, pessoas LGBTQIA+, sobretudo pessoas trans, somos tratadas pela sociedade. Ela resgata muitas questões como a expulsão de casa; o preconceito; a venda de seu melhor amigo, o Dourado; e toda a luta para sair desse ciclo de violências”.

Sobre o trabalho desenvolvido pela Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (SLGBTQIA+), a gestora afirma que é para proporcionar futuro e novas possibilidades que políticas públicas como o Acolher+ são desenvolvidas e fortalecidas. “Trabalhamos para manter as casas de acolhimento vivas para que elas sejam escadas, pontes para uma nova jornada que supere o preconceito, o estigma e a violência”, enfatiza.

Conheça outras ações do governo federal pelos direitos humanos e cidadania das pessoas LGBTQIA+ clicando aqui .

Por MDHC

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