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Governo

No Dia do Diplomata, Alckmin destaca a luta do Brasil pela paz e cooperação entre nações

29 de abril de 2026
No Dia do Diplomata, Alckmin destaca a luta do Brasil pela paz e cooperação entre nações
No Dia do Diplomata, Alckmin destaca a luta do Brasil pela paz e cooperação entre nações
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Governo do Brasil realizou nesta quarta-feira, 29 de abril, as comemorações alusivas ao Dia do Diplomata. O evento, que ocorreu no Palácio Itamaraty, também contou com a cerimônia de imposição de insígnias aos agraciados com a Ordem de Rio Branco, seguida de cerimônia de formatura da turma Esmeraldina Carvalho Cunha (2025-2026) do Instituto Rio Branco.

As solenidades foram presididas pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Na ocasião, ele destacou que o Governo do Brasil está do lado do povo e que é dever da diplomacia brasileira representar o país onde quer que estejam. “Vocês devem sempre se lembrar de que trabalham para defender os interesses brasileiros e o interesse dos brasileiros. Defender a soberania de forma lúcida e altiva é dever de todo diplomata”, disse Alckmin.

“No mundo onde a paz é ameaçada, devemos estar conscientes de que a paz não é um presente que recebemos sem esforço. Ela somente é obtida a custa de um trabalho incessante daqueles que estão dispostos aos sacrifícios que ela exige. No mundo de desrespeito às regras, saber que sua ausência leva ao predomínio da lei do mais forte e, muitas vezes, ao caos. No mundo desigual, saber almejar o desenvolvimento mais justo e sustentável”, também afirmou o vice-presidente.

MULTILATERALISMO — Na mensagem, o vice-presidente chamou atenção para os desafios crescentes para a diplomacia brasileira em um cenário global de instabilidade. “Temos tido, nos últimos anos, desafios internos e internacionais que geram instabilidade e ameaçam interesses e valores da nossa sociedade. Assim, mais que nunca, quero dirigir-me a vocês, que irão defender os interesses brasileiros aqui e no exterior, para que sempre busquem reafirmar o compromisso brasileiro com o multilateralismo, o diálogo e com a paz.”

Durante o discurso, ele afirmou que uma das mensagens é de que o Brasil também deve promover a união e a reconstrução no cenário internacional. Alckmin destacou que, em um mundo fragmentado, com conflitos armados em vários continentes, aumento do protecionismo e crise das instituições multilaterais, é preciso mostrar união entre os países, reforçar a cooperação e reafirmar os valores brasileiros em defesa do multilateralismo.

“Trabalhamos para reconstruir a imagem do Brasil no mundo. Um Brasil que o mundo voltou a admirar e respeitar. O povo brasileiro tornou-se novamente protagonista do seu destino e dos rumos do país. Um país que sediou o G20, o BRICS, a COP30, com o trabalho dedicado de muitos de vocês aqui. Que lançou a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza e o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre”, apontou o vice-presidente.

MUDANÇAS DO CLIMA — No panorama das relações internacionais, o vice-presidente da República afirmou que o Brasil desponta como ator central nas três grandes agendas de nossa época: o combate às mudanças climáticas, segurança alimentar e produção de energia renovável. “Estamos entrando no segundo quarto do século XXI e novos desafios se apresentam. Precisamos de clarividência e capacidade de análise para enxergar as causas e consequências do estado do mundo.”

Para ele, a atual crise no Oriente Médio confirma o acerto da estratégia brasileira de apostar na transição energética. “Utilizamos o etanol como combustível há meio século. Possuímos uma das matrizes mais limpas do mundo. Desenvolvemos a tecnologia de motores flex, que podem usar qualquer proporção de gasolina ou etanol. Já adotamos a mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% do biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas.”

DEFESA — Durante a cerimônia, Alckmin ainda pontuou que a área de defesa vai exigir decisões estratégicas. Na ocasião, ele lembrou que a guerra contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz demonstram como as rotas marítimas permanecem vitais para as cadeias globais de abastecimento.

“Quem tem a maior costa atlântica do mundo precisa de navios de superfície submarinos com capacidade de vigilância robusta. Quem tem a maior floresta tropical do mundo precisa saber preservá-la e aproveitar seus recursos de maneira inteligente e responsável. Nossos estaleiros voltaram a produzir embarcações de defesa moderna. São provas disso o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), que mantemos com a Alemanha e, o qual foi reforçado na última viagem do presidente Lula a Hanover e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos em parceria com a França”, reforçou.

MINERAIS CRÍTICOS — Outro tema de destaque do vice-presidente da República foi a importância de preservar as reservas de minerais críticos. “Temos a oportunidade de reescrever a nossa história. Dessa vez, mais do que extrair os minérios, precisamos criar condições para agregar valor no Brasil. Quem controla essas reservas ditará o futuro industrial, tecnológico e militar. Para o Brasil desenvolver essa cadeia é reduzir vulnerabilidades, atrair investimentos, estimular inovação, formar engenheiros e técnicos para transformar sua riqueza mineral em capacidade industrial.”

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL — Na mensagem, Alckmin destacou que a revolução digital e a inteligência artificial impactam positivamente a indústria, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética. Apesar disso, também traz desafios que exigem atenção, com uma elevada concentração de capacidades tecnológicas e o uso de dados sem adequada contrapartida. “É preciso continuar a fortalecer a formação de profissionais especializados, estimular o desenvolvimento de empresas nacionais, startups e criar condições favoráveis à inovação”, disse.

CRIME ORGANIZADO — A criminalidade transnacional é outra ameaça à sociedade brasileira que precisamos enfrentar também foi tema na cerimônia. O vice-presidente considerou que esses desafios exigem respostas coordenadas e eficazes. “É fundamental ampliar o intercâmbio de dados e inteligência e consolidar mecanismos de prevenção e repressão. Precisamos conter o contrabando de armas e combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais. Esses temas foram, inclusive, mencionados pelo presidente Lula, a sua contraparte norte-americana.”

Na ocasião, ele explicou que a Lei Antifacção, sancionada em março deste ano, institui o marco legal do combate ao crime organizado no Brasil. “Agora, temos instrumentos para chegar aos magnatas do crime que moram em condomínios de luxo. Mas podemos ir mais longe. Com a PEC da Segurança Pública, vamos fortalecer o Pacto Federativo no combate ao crime organizado, integrando políticas de segurança pública em todo o país”, afirmou Alckmin.

ACORDO MERCOSUL-UE — Ao final, o vice-presidente salientou que o governo seguirá apostando no comércio internacional, baseado em regras e na integração com parceiros estratégicos. Nesta terça-feira, 28 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto de promulgação do acordo de comércio entre União Europeia e Mercosul. “A medida é o último ato para incorporar o tratado ao ordenamento jurídico brasileiro”, apontou Alckmin.

O vice-presidente ainda lembrou que, na mesma ocasião, o presidente Lula assinou duas mensagens que serão encaminhadas ao Congresso Nacional, sobre os acordos comerciais do Mercosul com Singapura e com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Ele também citou as negociações em andamento pelo bloco econômico.

“Nesse mesmo prédio em que estamos, caros formandos, colegas seus, estão negociando o que pode vir a se tornar o novo acordo MERCOSUL-Canadá. Isso sinaliza ao mundo, num contexto conturbado e volátil, que há uma terceira margem, que sim, é possível chegar a consensos com base em regras e respeito do outro”, finalizou.

Assuntos Governo
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