O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), encaminhou ofício ao TikTok Brasil requisitando informações sobre as medidas adotadas pela plataforma diante da circulação massiva de conteúdos misóginos associados à trend “caso ela diga não”, viralizada nos últimos dias em torno do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.
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Os vídeos exibiam jovens simulando agressões físicas — chutes, socos e esfaqueamentos — contra manequins que representavam mulheres, acompanhados de mensagens que associavam explicitamente a violência à rejeição afetiva. O conteúdo, amplamente difundido na plataforma TikTok, motivou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF), instaurado após notícia-crime apresentada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), vinculada à Advocacia-Geral da União (AGU).
O ofício do MJSP deixa claro que a obrigação da plataforma não se limita à remoção dos conteúdos já requisitados pela Polícia Federal. Com fundamento na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a inconstitucionalidade parcial do art. 19 do Marco Civil da Internet, o Ministério aponta que os provedores de aplicações de internet são civilmente responsáveis pela indisponibilização imediata de conteúdos que configurem crimes praticados contra a mulher — categoria que inclui expressamente conteúdos que propagam ódio ou aversão às mulheres. Segundo o documento, a circulação massiva da trend representa riscos de falha sistêmica.
No prazo de cinco dias corridos, o TikTok Brasil deverá apresentar à Sedigi informações detalhadas sobre as medidas técnicas e organizacionais adotadas para detecção e supressão proativa de conteúdo misógino, incluindo:
• funcionamento dos sistemas automatizados de moderação;
• mecanismos de revisão humana;
• monitoramento de tendências emergentes;
• controles sobre o algoritmo de recomendação.
A plataforma deverá ainda apresentar a avaliação de riscos sobre a recorrência desse tipo de conteúdo e informar se os perfis responsáveis pela disseminação foram monetizados ou receberam qualquer forma de contraprestação financeira pelo alcance gerado.
Paralelamente, o MJSP determinou o encaminhamento ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Diretoria de Operações Integradas e Inteligência (Diopi/Senasp), dos registros técnicos e metadados que possam subsidiar a identificação da autoria e da materialidade dos ilícitos, em apoio às investigações policiais em curso.
