Servidores do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e membros do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) se reuniram nesta terça-feira (28/4), em evento on-line, para apresentarem os resultados da 1ª Maratona de Ciências Comportamentais em Políticas Públicas para o Empreendedorismo. A ação aconteceu no segundo semestre de 2025 e reuniu por quatro dias servidores públicos, especialistas, empreendedores e sociedade civil na construção colaborativa de soluções para o empreendedorismo baseadas nas ciências comportamentais.
A 1ª Maratona lançou dois desafios aos seus participantes que, em equipe, propuseram soluções que auxiliassem pequenos empresários a participarem de compras públicas e soluções para o fortalecimento do empreendedorismo feminino em favelas e comunidades urbanas.
As soluções vencedoras passaram por um período de 15 semanas de testes com centenas de empreendedoras, sob a supervisão do Sebrae, para que a aplicabilidade das propostas na vida real e os benefícios práticos das soluções fossem compreendidos a partir do olhar da ciência comportamental. “A testagem em campo serviu para descobrir não só o que funciona, mas em que condições e formatos uma solução pode ser adotada e ganhar escala”, avalia como resultado geral a especialista em ciências comportamentais e consultora do projeto Maria Cecília Nunes.
Os resultados mostraram também que não basta oferecer informação ao beneficiário. Quando a política incorpora apoios simples, como lembretes e acompanhamento de práticas, o engajamento praticamente dobra. “Levar essa abordagem para governos subnacionais pode ser um bom caminho de próximos passos, porque é no nível local que conseguimos testar, adaptar e transformar boas ideias em soluções que funcionam na vida real ”, informa a coordenadora da Unidade de Ciências Comportamentais do MGI, Marizaura Camões.
Também como resultado da pesquisa foi produzido o Guia da Maratona de Ciências Comportamentais. O documento faz o registro do passo-a-passo da ação, com informações sobre como foi feito o recrutamento dos participantes das equipes, as testagens e todo o processo realizado. O guia servirá para auxiliar outras entidades que desejarem promover uma maratona baseada em ciências comportamentais.
A experiência
“É muito interessante ver as ciências comportamentais sendo usadas como um elemento novo na construção dessa visão dos desafios públicos, incorporando a perspectiva de que utiliza os serviços públicos, não de forma abstrata – mas sim, indo para o concreto, para algo aplicado, testado e próximo à realidade”, diz a diretora de Inovação Governamental do MGI, Claudia Martinelli. E completa: “E vale destacar, junto com o método, a forma como foi construído esse trabalho. Na maratona a gente trouxe essa diversidade de olhares, de pessoas não só com as quais a gente convive no governo, mas também pessoas de fora que trazem diferentes experiências, de diferentes jornadas”.
Para o diretor de programa da Secretaria de Gestão e Inovação (Seges) do MGI, Herbert Barros, “ como ministério, como órgão que pensa esse tema, nós temos certeza que a construção colaborativa, baseada em evidências e orientada para desafios reais, é um caminho essencial para conseguirmos inovações que importam para as pessoas. Esse é o nosso objetivo no final do dia”, conclui.
A maratona
O MGI foi responsável pelo apoio metodológico em ciências comportamentais, por meio da Unidade de Ciências Comportamentais (CINCO) da Diretoria de Inovação Governamental (Seges/MGI), com a definição dos desafios, condução das oficinas e estruturação da metodologia. O Sebrae foi responsável pela viabilização, gestão geral do projeto e execução da maratona. A ação ainda teve apoio da empresa Impact Hub, que auxiliou na operacionalização das atividades e engajamento dos participantes.
