Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
O Governador
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
O GovernadorO Governador
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Governo

Em relatório da Abin e da ONU, migrantes sem documentos não são os criminosos

28 de abril de 2026
Em relatório da Abin e da ONU, migrantes sem documentos não são os criminosos
Em relatório da Abin e da ONU, migrantes sem documentos não são os criminosos
Compartilhar

Publicação “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência” foi apresentada terça-feira em evento no Palácio do Planalto

Tópicos da matéria
Novos dadosCooperação multilateral Inteligência a serviço da proteção e da prevenção Um olhar humanitário sobre o fenômeno migratório Riscos e vulnerabilidades Formas digitais de aliciamento Conhecimento para ação

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), lançou nesta terça-feira, 28 de abril, a publicação “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência”.  O documento foi apresentado em evento sediado no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença de especialistas, autoridades nacionais e estrangeiras e representantes de organismos internacionais para debater um dos desafios mais complexos da atualidade. O estudo é inédito e está disponível no site da Abin.

O relatório apresenta um panorama atualizado sobre o contrabando de migrantes no país em 2025, com base em dados de campo, cooperação internacional e análises especializadas. O Brasil se consolida como país de origem, trânsito e destino dessas rotas, favorecido por sua extensa fronteira (mais de 16 mil quilômetros) e por sua posição geográfica estratégica.

No documento, a perspectiva do crime recai sobre as redes de aliciamento e contrabando, e não sobre as pessoas que saem de seus países motivadas por crises e riscos reais de morte e perseguição.

Michelle Barron, chefe de Programas da OIM Brasil. defendeu a não-criminalização dos migrantes e enfatizou a prevenção e ação contra organizadores do crime:

Entendemos que se trata de um crime transacional complexo que ameaça a soberania dos Estados. A rede de criminosos traz danos físicos, psicológicos e sociais, e em se tratando de mulheres e meninas, há também violência sexual e de gênero. O enfrentamento ao crime demanda uso estratégico da Inteligência e atuação coordenada entre instituições”.

Novos dados

Entre os destaques recentes do relatório, observa-se o aumento da entrada de migrantes cubanos com apoio de redes clandestinas, bem como o retorno de brasileiros dos Estados Unidos, muitos dos quais recorreram a serviços de contrabando no processo migratório. Também há crescimento da participação da Região Norte nas rotas de entrada irregular.

Acesse o relatório completo

O documento detalha ainda os principais pontos de entrada e saída no território nacional, além das dinâmicas estaduais e da atuação descentralizada das redes criminosas, que utilizam métodos sofisticados para evitar a detecção.

Lançamento da publicação, em Brasília, com representantes da Abin e da ONU Imigrações

Cooperação multilateral

Durante a abertura do evento, Michelle Barron declarou que a cooperação entre as instituições reconhece que segurança e dignidade não são opostas. “A análise de Inteligência contribui para a relevância do debate e tomada de decisões, sendo uma iniciativa corajosa e responsável. A ABIN atuou com viagens por todo o Brasil, conversou com autoridades locais e sociedades civis, formulando um estudo profundo e bem feito. Essa publicação reforça a cooperação internacional, já que nenhuma instituição isoladamente é capaz de atuar sozinha”, disse.

Patrícia Wagner Chiarello, diretora do Departamento de Imigração e Cooperação Jurídica do Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou que o Itamaraty permanece comprometido na defesa dos direitos humanos dos refugiados e na assistência consular às vítimas brasileiras no fenômeno criminoso migratório. “Estamos à total disposição para trabalhar em conjunto e vemos muitos benefícios em trabalhar com a Agência”, disse.

Já a diretora de Promoção dos Direitos Humanos no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Cândida Souza, afirmou que “a discussão do documento somará as políticas públicas voltadas para o combate ao contrabando de imigrantes e provocará debates importantes”.

O diretor do Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Victor Frank Corso Semple, ressaltou o ineditismo do estudo. “O Brasil é, para além da dimensão continental, um país de trânsito, rota e destino, complexificando a discussão. O documento faz parte de uma política migratória baseada em evidências e Inteligência”, disse.

O diretor-geral da ABIN, Luiz Fernando Corrêa, destacou que a ABIN vem inovando com vários documentos públicos no sentido da transparência ativa e prévia. “O sigilo necessário para a atividade e a transparência possível são um desafio constante para se equilibrar. Se precisamos assessorar o decisor, o cidadão também é decisor final, principalmente quando tratamos de políticas públicas. Então ele também precisa ter acesso aos documentos”, afirmou.

O diretor-geral também elencou pontos relevantes da temática, como questão humana, soberania nacional, burocracia pública de controle migratório e não criminalização.

Luiz Fernando Corrêa e Michelle Barron

Inteligência a serviço da proteção e da prevenção

O enfrentamento ao contrabando de migrantes exige mais do que vigilância de fronteiras. A atuação da Inteligência brasileira baseia-se em uma abordagem sistêmica e colaborativa, que integra coleta e análise de dados, intercâmbio internacional de informações e assessoramento governamental. Esse esforço permite não apenas identificar e desarticular redes criminosas, mas também fortalecer estratégias de prevenção e proteção aos migrantes.

A iniciativa marca um avanço significativo na transparência e na produção de conhecimento estratégico em uma democracia. Ao tornar público um documento de Inteligência, a ABIN contribui para qualificar o debate sobre o tema e subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, respeitando, sobretudo, os direitos humanos.

Instituída pela Lei nº 9.883/1999, a ABIN atua como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), com a missão de produzir conhecimentos estratégicos para a segurança da sociedade e do Estado. Essa atuação está fundamentada na defesa da soberania nacional, do Estado Democrático de Direito e, sobretudo, da dignidade da pessoa humana.

Victor Frank Corso Semple, Luiz Fernando Corrêa e Michelle Barron

Um olhar humanitário sobre o fenômeno migratório

O estudo destaca que migrantes não são, necessariamente, vulneráveis por falta de recursos financeiros, mas por estarem expostos à ação de organizações criminosas. Muitas dessas pessoas já tentaram migrar por vias legais, mas enfrentaram barreiras que as levaram a recorrer a redes ilegais.

Nesse contexto, a legislação brasileira, especialmente a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), estabelece princípios fundamentais como a não criminalização da migração, a não discriminação, a acolhida humanitária e a igualdade de direitos. Esses pilares orientam uma abordagem centrada na proteção dos indivíduos, reconhecendo a migração como um direito humano.

Principais pontos de interesse para o contrabando de migrantes no Brasil em 2025

Riscos e vulnerabilidades

Os migrantes submetidos a essas redes enfrentam uma série de riscos ao longo de suas jornadas: desde condições extremas de saúde e exposição a ambientes hostis até violência física, exploração econômica e danos psicológicos profundos. Em casos mais graves, o contrabando pode evoluir para tráfico de pessoas, especialmente para fins de exploração laboral ou sexual.

A vulnerabilidade não se limita ao trajeto. A condição migratória irregular pode gerar insegurança prolongada, dificultando o acesso a direitos e aumentando o risco de exploração no país de destino.

Lançamento da publicação

Formas digitais de aliciamento

No que diz respeito às redes sociais, o aliciamento tem se tornado cada vez mais digitalizado e abrangente. Contrabandistas utilizam aplicativos de mensagens para estabelecer contato direto, negociar valores e coordenar etapas da viagem. Paralelamente, redes sociais funcionam como vitrines informais, onde são divulgados relatos, ofertas e promessas de travessia.

Destaca-se ainda o uso crescente de plataformas de vídeos curtos, nas quais a promoção ocorre de forma mais velada, por meio de conteúdos que romantizam a migração ou sugerem rotas e facilidades. Esses ambientes ampliam significativamente o alcance dos aliciadores, permitindo que atinjam potenciais migrantes em diferentes regiões e criem uma sensação de proximidade e confiança, mesmo sem contato presencial.

Contrabando de Migrantes no Brasil: uma Análise de Inteligência

Conhecimento para ação

A publicação da ABIN e da OIM não pretende esgotar o tema, mas oferecer um ponto de partida para o fortalecimento de políticas públicas e da cooperação internacional. A publicação também dialoga com iniciativas como o Plano de Ação de Enfrentamento ao Contrabando de Migrantes, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que prevê ações integradas de prevenção, monitoramento, proteção às vítimas e repressão qualificada.

Ao compartilhar conhecimento com a sociedade, instituições governamentais e parceiros internacionais, a ABIN reafirma seu compromisso com uma atuação estratégica e humanitária.

Assuntos Governo
Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print

Você pode gostar também

Classificação indicativa por idade: confira as mudanças no primeiro mês do ECA Digital
Governo

Classificação indicativa por idade: confira as mudanças no primeiro mês do ECA Digital

28 de abril de 2026
Promulgação do Acordo Provisório de Comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia
Governo

Promulgação do Acordo Provisório de Comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia

28 de abril de 2026
Fila do INSS cai em abril e está em 2,6 milhões
Governo

Fila do INSS cai em abril e está em 2,6 milhões

28 de abril de 2026
Governo discute linha de crédito para taxistas trocarem de carros, diz Luiz Marinho
Governo

Governo discute linha de crédito para taxistas trocarem de carros, diz Luiz Marinho

28 de abril de 2026
Ministro das Cidades detalha novas condições do Minha Casa, Minha Vida, nesta 4ª
Governo

Ministro das Cidades detalha novas condições do Minha Casa, Minha Vida, nesta 4ª

28 de abril de 2026
Lula promulga o acordo Mercosul-União Europeia: Brasil competitivo e fé no multilateralismo
Governo

Lula promulga o acordo Mercosul-União Europeia: Brasil competitivo e fé no multilateralismo

28 de abril de 2026
Minha Casa, Minha Vida entrega 304 moradias em Ponta Grossa, no Paraná
Governo

Minha Casa, Minha Vida entrega 304 moradias em Ponta Grossa, no Paraná

28 de abril de 2026
Luz para Todos avança em territórios indígenas e leva energia limpa a aldeias isoladas do Pará
Governo

Luz para Todos avança em territórios indígenas e leva energia limpa a aldeias isoladas do Pará

28 de abril de 2026
Assentamentos da Reforma Agrária do Rio Doce terão retomada econômica agroecológica
Governo

Assentamentos da Reforma Agrária do Rio Doce terão retomada econômica agroecológica

28 de abril de 2026
Brasil não aceita negócios baseados na vulnerabilidade da infância, diz titular do MDHC
Governo

Brasil não aceita negócios baseados na vulnerabilidade da infância, diz titular do MDHC

28 de abril de 2026
MTE inicia ação fiscal após morte de trabalhador em montagem de show no Rio de Janeiro
Governo

MTE inicia ação fiscal após morte de trabalhador em montagem de show no Rio de Janeiro

28 de abril de 2026
Crescimento econômico 'não cai do céu', depende de ação do Estado, diz secretário do MDIC
Governo

Crescimento econômico ‘não cai do céu’, depende de ação do Estado, diz secretário do MDIC

28 de abril de 2026
O GovernadorO Governador