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‘Aos poucos, vamos colocando a parte mais pobre da população no orçamento’, diz Lula

10 de junho de 2026
'Aos poucos, vamos colocando a parte mais pobre da população no orçamento', diz Lula
'Aos poucos, vamos colocando a parte mais pobre da população no orçamento', diz Lula
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Encontro reuniu governo e sociedade para debater estratégias de desenvolvimento, inovação, combate ao feminicídio e construção de um projeto de futuro para o país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, nesta quarta-feira, 10 de junho, no Palácio Itamaraty. A reunião teve como mote “Da soberania nacional ao protagonismo global”.

Em seu discurso, o presidente Lula agradeceu a contribuição dos conselheiros e conselheiras na elaboração de propostas para o aprimoramento das políticas públicas.

Queria primeiro agradecer a vocês, a dedicação de cada mulher, de cada homem que assumiu a responsabilidade de participar desse Conselho e preparar propostas para ajudar o governo a fazer coisas diferentes, a fazer coisas apresentadas pela sociedade civil”, declarou.

O presidente afirmou que os avanços econômicos devem ser acompanhados por ações que reduzam as desigualdades e promovam mais inclusão social. “O que é importante é que aos poucos a gente vai colocando a parte mais sensível e mais pobre da população dentro do orçamento do país, levando a sério a educação, saúde, legalização de terras indígenas, demarcar as zonas tanto no oceano quanto na floresta, a questão dos quilombolas”, disse Lula.

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O colegiado é responsável pelo assessoramento do presidente da República na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo. A 7ª Reunião do Conselho e primeira de 2026 reuniu autoridades governamentais, sociedade civil e o empresariado para focar em metas de desenvolvimento nacional até 2035 e políticas sustentáveis.

“Vocês sabem que atender à sociedade que durante séculos foi tratada como invisível, embora custe muito pouco do ponto de vista financeiro, é muito difícil do ponto de vista da compreensão política de que essa gente também são cidadãs e cidadãos brasileiros que merecem comer uma fatia do bolo que nós produzimos”, registrou o presidente.

Um país democrático é construído com diálogo e participação social.

Estive nesta tarde em mais uma plenária do Conselhão, um espaço que é o verdadeiro retrato da nossa diversidade. Ouvir a sociedade civil organizada é o que nos permite governar a muitas mãos e construir um… pic.twitter.com/5dnWyPHU4F

— Lula (@LulaOficial) June 10, 2026

AVANÇOS — Em sua participação, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, compartilhou três reflexões sobre os desafios e avanços do país. Ele destacou os avanços alcançados na combinação entre crescimento agropecuário, inclusão social e preservação ambiental; a retomada dos investimentos e fortalecimento da indústria nacional; e defendeu uma soberania baseada no diálogo, na integração internacional e na ampliação das oportunidades comerciais para o Brasil.

“O governo do presidente Lula está dando um grande exemplo de que é possível, não há antagonismo, é possível tirar 23 milhões de pessoas do mapa da fome, ao mesmo tempo bater recorde de exportação de alimentos, o Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo, e preservar o meio ambiente e preservar as florestas”, exemplificou.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou o papel do colegiado como um dos mais relevantes espaços de diálogo entre governo e sociedade civil no país. “Sua diversidade, pluralidade e capacidade de formular propostas concretas demonstram que a participação social e qualidade das políticas públicas caminham juntos. Na política externa, essa experiência tem sido particularmente valiosa”, disse.

Ele também ressaltou que, em um cenário internacional marcado por transformações geopolíticas, tensões comerciais, mudanças climáticas e avanços tecnológicos, o Governo do Brasil tem atuado na defesa da soberania nacional e dos interesses estratégicos do país.

“Nesse sentido, sempre orientado pela defesa intransigente da nossa soberania, o Ministério das Relações Exteriores tem atuado com firmeza e visão estratégica na proteção dos interesses comerciais brasileiros, diante da imposição de sanções unilaterais injustificadas contra o País”, destacou o ministro.

“Nesses últimos anos, o Brasil esteve à frente de importantes processos multilaterais, como as presidências do G20 e do BRICS, tendo sediado ano passado a COP30 em Belém. Em todas essas ocasiões, reafirmamos a vocação universalista da diplomacia brasileira em nosso compromisso com o multilateralismo, o diálogo e a cooperação internacional”, complementou o ministro.

AÇÕES CONCRETAS — O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, abriu oficialmente a plenária e ressaltou que o colegiado tem contribuído para transformar propostas da sociedade em ações concretas do Governo do Brasil. Guimarães citou como exemplo a criação do Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio, iniciativa que teve origem em discussões realizadas no âmbito do Conselho. “Isso tem importância fundamental, e as ações que o Pacto realizou dão a dimensão da fortaleza que está se tornando uma campanha nacional contra o feminicídio”, afirmou.

O ministro também destacou os avanços econômicos registrados nos últimos anos. Ele também apresentou os três eixos temáticos que orientam os debates da plenária: enfrentamento ao feminicídio e fortalecimento da segurança pública; desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica; e a construção de um projeto de nação com contribuições do Conselho para o futuro do Brasil.

“O Conselhão, como espaço plural de debate e, sobretudo, de diálogo, tem se transformado numa referência, porque é essa referência que tem dado ao Brasil a consolidação de determinadas políticas públicas que estão fazendo a diferença”, destacou Guimarães.

DOCUMENTOS — Durante a reunião, foram entregues ao presidente da República dois principais documentos institucionais. O Caderno de Trabalho das Comissões é um relatório que reúne todas as ações realizadas em 2026 pelo Conselho, enquanto o documento “O Novo Conselhão: Reconstrução, Participação e Projeto de Nação”, consolida a trajetória do órgão desde a sua recriação e estabelece uma visão de futuro para o país.

“Mais que desafios do presente, este Conselho se soma na retomada do planejamento de médio e longo prazo do país. O projeto de futuro da sociedade brasileira é uma pauta que mobiliza a inteligência reunida neste plenário e deve continuar no próximo semestre de forma permanente”, afirmou a secretária-executiva do Conselhão, Raimunda Monteiro.

BRASIL CONTRA O FEMINICÍDIO — A primeira-dama Janja Lula da Silva apresentou os resultados dos primeiros quatro meses do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, como a maior agilidade na justiça, o monitoramento dos agressores, a Operação Mulher Segura e o Alerta Mulher Segura, além da proteção no ambiente digital.

“O Estado brasileiro passou a atuar de forma integrada na proteção da vida das mulheres e os primeiros cento e poucos dias demonstram fortemente que o enfrentamento ao feminicídio exige integração, velocidade e compromisso permanente de todos e de todas. Com o Pacto Nacional contra o Feminicídio, reafirmamos um princípio fundamental: nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha e nenhuma instituição pode enfrentar esse desafio isoladamente”, disse Janja.

RETOMADA ECONÔMICA — Márcio Elias, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apresentou um panorama sobre a retomada econômica, os avanços da Nova Indústria Brasil (NIB) e a expansão do comércio exterior.

“Depois de 14 anos, nós assistimos e colecionamos alguns indicadores favoráveis ao crescimento da Indústria. Ela cresceu em 2024, com o lançamento da NIB, 3,1%. Neste primeiro quadrimestre, ela já avançou 1,7%. A indústria volta a gerar empregos e por isso é que nós geramos no ano passado 699 mil empregos formais só na Indústria. Essa indústria que é mais competitiva, mais produtiva, mais sustentável, há de ser também a mais exportadora. Por isso é que batemos recordes de exportações”, afirmou Márcio Elias.

O ministro destacou dados consolidados dos últimos anos para mostrar que o social e o econômico avançam lado a lado. “Nós temos hoje a menor taxa de desemprego, 5,6% da média histórica. Nós temos hoje um recorde de brasileiros formalmente empregados, 103 milhões de brasileiros empregados em 2025. Nós temos um recorde na massa salarial em 2025 e nós sabemos que isso é um motor para o desenvolvimento econômico”, explicou.

PROTEÇÃO AO PIX — Márcio Elias também anunciou que a marca Pix será reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como marca de alto renome, se tornando a primeira marca vinculada ao Governo Federal a alcançar o alto renome.

“Na forma da Lei da Propriedade Industrial, é a maior proteção que se pode conferir a uma marca e ao seu símbolo”, afirmou o ministro ao comentar o reconhecimento concedido ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

ECONOMIA — Por sua vez, o titular da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a construção de uma política econômica baseada na responsabilidade fiscal, no crescimento sustentável e na redução das desigualdades sociais.

“Eu acho que no Brasil, nessa quadra histórica, e com o presidente Lula como nosso líder, nós temos esse chamado de dar o passo à frente e apresentar essa proposta: uma política econômica que seja humanista, que seja progressista, que tenha responsabilidade fiscal de maneira muito seriamente colocada na nossa frente, como guia para a tomada das nossas decisões, e que faça, de maneira pragmática e politicamente responsável, a harmonização com a política social”, disse Durigan.

Dario afirmou ainda que a redução da pobreza e das desigualdades sociais é parte fundamental da estratégia econômica do Governo do Brasil. O ministro mencionou o Desenrola Brasil, iniciativa de recuperação financeira das famílias brasileiras, medidas de regulação e fiscalização do mercado de apostas eletrônicas e ações de combate ao crime organizado.

“Nós temos condição de apresentar o que o mundo pede urgentemente, uma política econômica humanista, progressista, crível, que deve ser exemplo pros outros países nessa quadra histórica”, afirmou o ministro.

Assuntos Governo
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