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Infectologista da HU Brasil em Belém explica como ocorre a transmissão do ebola

15 de junho de 2026
Infectologista da HU Brasil em Belém explica como ocorre a transmissão do ebola
Infectologista da HU Brasil em Belém explica como ocorre a transmissão do ebola
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Profissional fala sobre prevenção, formas de contágio, sintomas e opções de tratamento

Tópicos da matéria
Prevenção e vigilância Por que o tema voltou a chamar atenção? Sobre a HU Brasil

Belém (PA) – Muito se fala sobre o ebola quando novos surtos da doença ganham destaque internacional. Conhecida pelas elevadas taxas de letalidade, a infecção costuma despertar preocupação na população. No entanto, especialistas ressaltam que a forma de transmissão do vírus é bastante diferente da observada em doenças respiratórias, o que reduz significativamente o risco de disseminação em países onde não há circulação da enfermidade.

Na Amazônia, o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Rede HU Brasil, é referência em assistência, ensino, pesquisa e formação em doenças infectocontagiosas e tropicais. Para orientar a população sobre o tema, a infectologista Rita Medeiros (foto ao lado), gerente de Atenção à Saúde do hospital, explica como ocorre o contágio, quais são os sintomas e quais medidas ajudam a prevenir a doença.

Segundo a especialista, apesar de o ebola ser uma doença viral grave, sua forma de transmissão difere da observada em infecções respiratórias altamente contagiosas. “Esse vírus pode ser transmitido aos seres humanos pelo contato com animais infectados e também por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas doentes. Diferentemente de doenças transmitidas pelo ar, o contágio exige contato próximo com materiais contaminados, excretas de animais infectados, como o morcego, ou com pacientes que apresentam sintomas da doença”, explica.

O período de incubação do ebola varia de dois a 21 dias. Os sintomas costumam surgir de forma repentina e incluem febre alta, fadiga intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Com a evolução do quadro, podem ocorrer vômitos, diarreia, dor abdominal e comprometimento de órgãos como fígado e rins. Em situações mais graves, a doença pode provocar sangramentos internos e externos, além de falência de múltiplos órgãos. 

Rita Medeiros destaca que o diagnóstico clínico pode ser desafiador, especialmente porque os sintomas iniciais se confundem com os de outras doenças infecciosas frequentes em regiões tropicais. “Malária, dengue, febre tifoide, meningite e outras infecções podem apresentar manifestações semelhantes nas fases iniciais. Por isso, a confirmação depende de exames laboratoriais específicos e de uma investigação epidemiológica cuidadosa”, afirma.

Prevenção e vigilância

A transmissão ocorre majoritariamente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou com superfícies contaminadas. O vírus também pode ser transmitido pelo contato com animais silvestres infectados, sobretudo em regiões onde a doença circula naturalmente.

Medidas como o isolamento dos pacientes e a restrição do contato com animais e suas excretas são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e evitar novos casos. Também são importantes a higienização frequente das mãos, o uso de equipamentos de proteção individual por profissionais de saúde e a redução da exposição a pessoas doentes ou a materiais potencialmente contaminados.

Embora o ebola seja conhecido por suas elevadas taxas de letalidade, a especialista ressalta que não há motivo para alarmismo em relação ao cenário brasileiro. “O Brasil possui uma rede estruturada de vigilância epidemiológica e protocolos bem definidos para identificação e manejo de casos suspeitos. Quando há uma suspeita, o paciente é isolado imediatamente, e as autoridades sanitárias iniciam a investigação e o monitoramento dos contatos”, ressalta.

Por que o tema voltou a chamar atenção?

Recentemente, o Ministério da Saúde descartou dois casos suspeitos de ebola investigados no Brasil. Os pacientes, atendidos no Rio de Janeiro e em São Paulo após apresentarem sintomas compatíveis com a doença e histórico de viagem a países africanos, tiveram diagnósticos confirmados para malária e doença meningocócica, respectivamente.

As investigações seguiram os protocolos nacionais de vigilância para febres hemorrágicas virais e demonstraram a capacidade de resposta do sistema de saúde brasileiro diante de notificações suspeitas.

Atualmente, um surto da doença é monitorado em países africanos, o que tem aumentado o interesse da população pelo tema. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa média de letalidade do ebola é de cerca de 50%, embora os índices possam variar de acordo com as condições de assistência oferecidas aos pacientes.

Para viajantes, a OMS não recomenda, neste momento, restrições de circulação, quarentenas ou limitações comerciais relacionadas ao ebola. No entanto, pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados ou suspeitos da doença devem evitar viagens sempre que possível, com o objetivo de reduzir o risco de propagação do vírus.

“A principal recomendação para a população brasileira é buscar informações em fontes oficiais e procurar assistência médica diante de sintomas associados a viagens recentes para áreas com transmissão da doença, especialmente na República Democrática do Congo e em Uganda. O conhecimento e a vigilância são as melhores ferramentas de prevenção”, orienta Rita Medeiros.

Atualmente, existem vacinas aprovadas e tratamentos específicos baseados em anticorpos monoclonais para algumas espécies do vírus Ebola. Entretanto, ainda não há terapias aprovadas para a variante Bundibugyo, relacionada ao atual surto na África. “A identificação precoce dos casos e o cumprimento rigoroso dos protocolos de biossegurança seguem como as principais medidas para conter a disseminação da doença”, finaliza a infectologista do Barros Barreto.

Sobre a HU Brasil

O CHU-UFPA faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 46 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.

Por George Miranda, com edição de Ludmila Wanbergna

Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil

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