Em coletiva de imprensa após a Cúpula do G7, presidente ressaltou pontos que o Brasil defendeu no evento, como o investimento de países ricos em nações menos desenvolvidas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à imprensa nesta quarta-feira, 17 de junho, um balanço da sua viagem para a Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em conversa com jornalistas em Genebra, na Suíça, Lula ressaltou os pontos que o Brasil defendeu durante o evento, que teve como principal eixo de discussão os desequilíbrios globais.
Para mim, cada reunião do G7 é a oportunidade de a gente discutir com os países desenvolvidos tanto o equilíbrio quanto o desequilíbrio na ordem política, econômica e social, levando em conta os avanços tecnológicos, a discussão sobre inteligência artificial e as necessidades de cada país”, afirmou Lula.
Abordando o tema dos minerais críticos, o presidente defendeu parcerias com países desenvolvidos para explorá-los, com a condição de que a sua exploração envolva a incorporação de valor dentro dos países detentores das reservas dos recursos, evitando uma lógica extrativista.
“Quantos mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e em estar dispostos a contribuírem participando da exploração, da industrialização e do enriquecimento das terras raras e de minerais críticos, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos”, disse Lula.
“Mas não queremos repetir o ciclo do ouro, em que tudo ia embora e a gente ficava com nada. O mesmo no ciclo do minério de ferro, em que a gente exportava tudo e foi feita pouca industrialização no Brasil”.
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Lula defendeu o desenvolvimento de mercados consumidores em países menos desenvolvidos. “É importante que os países ricos tomem como decisão uma coisa sagrada. Eles têm que entender que eles precisam criar novos consumidores. Onde é que estão os novos consumidores? Na Índia, na China, na África, na América Latina, com amplo poder de pessoas que querem ser consumidores. Para ser consumidores, tem que ter investimento, tem que ter emprego, tem que ter salário”, disse.
O presidente defendeu que o crescimento precisa seja distribuído a nível global. “O mundo precisa crescer para que a economia volte a crescer. Não adianta crescer só para a Alemanha, só para os Estados Unidos, só para a França, não. É preciso, sem diminuir o padrão de vida deles, crescer para outros países, para que eles possam vender, inclusive, os seus produtos de maior qualificação, de maior valor agregado. Essa é uma discussão que eu fiz questão de deixar claro na minha intervenção lá. É preciso vocês compreenderem que vocês precisam criar novos consumidores e os novos consumidores estão fora do país de vocês. Então, façam investimentos”, declarou.
O mundo precisa crescer para que a economia volte a crescer. Não adianta crescer só para a Alemanha, só para os Estados Unidos, só para a França, não. É preciso, sem diminuir o padrão de vida deles, crescer para outros países”
A cidade de Évian-les-Bains, na fronteira da França com a Suíça, sediou o primeiro encontro do G7 – à época, denominado G8, com a participação da Rússia – ao qual um presidente brasileiro compareceu. Em 2003, o próprio presidente Lula compareceu a uma cúpula do grupo de maiores economias industrializadas do mundo.
Na entrevista, Lula também relembrou o debate em relação ao ambiente digital. “Na questão digital, eu fiz questão de dizer para eles duas coisas importantes que o Brasil fez. A proibição de telefone nas escolas e o ECA digital, que é a regulação digital mais importante feita no mundo para jovens e adolescentes. E eu queria que eles conhecessem”, assinalou.
DECLARAÇÕES DO G7 — Lula participou de três sessões de debates com os membros do G7 e os países dos convidados. A primeira, realizada na terça (16), foi intitulada “Construir Novas Parcerias e Reconstruir a Solidariedade Internacional”. As outras duas sessões ocorreram nesta quarta (17), uma chamada “Retomar um Crescimento Econômico Equilibrado, Compartilhado e Sustentável em Benefício de Todos” e outra com o título “Garantir a Implantação Segura, Rápida e Eficiente da Inteligência Artificial”.
No final da Cúpula, os países do G7 emitiram oito declarações negociadas entre o grupo. O Brasil endossou três dessas declarações. “A primeira, declaração sobre segurança no espaço digital para menores, na qual o presidente pôde oferecer sua perspectiva a partir dos recentes debates para aprovação do projeto de lei sobre o tema no Brasil. A segunda declaração foi sobre a cooperação para o combate ao câncer. E a terceira, declaração sobre a cooperação internacional para o combate ao narcotráfico, tema prioritário para o governo brasileiro e de grande relevância para as relações dos países com seus vizinhos e parceiros internacionais”, relatou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
BILATERAIS — Além da programação do G7, o presidente Lula manteve reuniões bilaterais com os presidentes da França, Emmanuel Macron; do Egito, Abdel Fattah El; da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; da Suíça, Guy Parmelin; da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; e do Conselho Europeu, António Costa. “Tem especial destaque para o encontro que o presidente Lula manteve com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, no qual foi anunciado que serão lançadas as negociações entre o Japão e o Mercosul, na próxima cúpula do Mercosul, no dia 30 de junho em Assunção [Paraguai], no final deste mês”, disse Mauro Vieira.
ACORDO COMERCIAL — O ministro também comentou que, durante o encontro com o presidente da Suíça, foi abordada a questão da aprovação do Acordo do EFTA (European Free Trade Association) com o Mercosul. “No Brasil, foi aprovado na Câmara dos Deputados na semana passada e está agora também num ritmo muito rápido e avançado em discussão no Senado Federal. E na tarde de hoje, enquanto o presidente viajava de Évian-les-Bains para Genebra, o Legislativo Suíço aprovou, por grande maioria, o Acordo EFTA-Mercosul. É uma notícia, sem dúvida, auspiciosa”, disse.
