De um lado, as altas taxas de juros adotadas pelo Banco Central funcionam como freio. De outro, políticas de ampliação do crédito, adotadas pelo Governo Lula, sustentam expansão do PIB. As duas pontas são analisadas em nota da Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda.
A política monetária contracionista foi o fator preponderante que explica o crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, ante 3,4% em 2024, aponta a SPE. O desempenho acumulado do PIB do ano passado foi anunciado na manhã de terça-feira (03/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sem citar diretamente o Banco Central, a afirmativa acima não deixa dúvidas quanto ao redutor do crescimento representado pela taxa básica de juros adotada pelo órgão.
Em 2026, para o qual a SPE projeta 2,3% de crescimento do PIB, políticas de crédito adotadas pelo Governo Lula devem funcionar como pilar, especialmente no setor industrial.
“Políticas oficiais já em curso também devem impulsionar o setor industrial ao longo deste ano”, diz a SPE. A secretaria cita a relevância do Move Brasil (crédito a juros baixos para compra de caminhões), do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do Reforma Casa Brasil (financiamento para melhoria habitacional em áreas urbanas), além da nova regra de direcionamento da poupança (facilitando o acesso à casa própria e, consequentemente, estimulando o setor imobiliário). Todos esses programas também devem contribuir para a maior expansão industrial em 2026, de acordo com a Nota Informativa.
Em análise sobre os motivos que contiveram a expansão do PIB brasileiro a 2,3% no ano passado, a SPE destaca que a desaceleração foi mais pronunciada nos setores cíclicos, que registraram crescimento de 1,5% em 2025, ante 4% em 2024. “A política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto”, cita a Nota Informativa “PIB de 2025 — Desaceleração da atividade no ano”, publicada, na manhã da terça-feira (3/3), logo após a divulgação do IBGE.
Confira a íntegra da Nota Informativa “PIB de 2025 — Desaceleração da atividade no ano”, da SPE
Conforme aponta a SPE, a perda de fôlego da economia tornou-se mais evidente no segundo semestre do ano passado, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação aos primeiros seis meses de 2025. “Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025”, aponta a Nota Informativa.
Dentre os países do G-20 que já divulgaram o resultado do PIB do quarto trimestre, o Brasil ocupou a décima posição na margem; a sétima posição na comparação interanual e a sexta posição no acumulado em quatro trimestres, informa a SPE.
Leia também:
PIB brasileiro avança pelo quinto ano seguido e cresce 2,3% em 2025, mostra IBGE
Perspectivas para 2026
Apesar do baixo carregamento estatístico de um ano para outro, a SPE projeta crescimento de 2,3% para o PIB em 2026, ou seja, ritmo similar ao de 2025. “Pela ótica da oferta, a expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços. Pela demanda, a expectativa é de maior contribuição da absorção doméstica comparativamente a 2025, contrabalançada por menor contribuição do setor externo”, sinaliza a Secretaria de Política Econômica.
Para a agropecuária, há perspectiva de nova colheita recorde de soja, mas esse movimento deve ser impactado por menor produção de milho e arroz, assim como menor abate de bovinos. A combinação desses fatores deve limitar a expansão do setor em 2026.
Em contrapartida, a SPE projeta maior crescimento da indústria em 2026, repercutindo expansão ainda robusta da produção extrativa e recuperação da indústria de transformação e da construção, em resposta à flexibilização monetária, informa a SPE. Aqui, a nota destaca as políticas de crédito adotadas pelo Governo do Brasil, que “devem contribuir para a maior expansão industrial em 2026”.
Para os serviços, a expectativa também é de maior crescimento, ao longo deste ano, impulsionado pela reforma da tributação sobre a renda (especialmente a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e redução de alíquotas para aqueles que ganham até R$ 7.350 mensal), assim como pela expansão do crédito consignado para o trabalhador privado (Crédito do Trabalhador ), além da resiliência do mercado de trabalho, destaca a SPE/MF.
