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Veneno de vespas contra o Alzheimer é tema de pesquisa de professora da UnB

28 de janeiro de 2026
Veneno de vespas contra o Alzheimer é tema de pesquisa de professora da UnB
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Ex-bolsista Capes, Luana Cristina Camargo é professora da UnB e coordena linhas de pesquisa de desenvolvimento de medicamentos para enfrentar a doença

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Fale da sua trajetória.Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua produção.De que forma sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?Como a Capes/MEC contribuiu para sua formação?

Luana Cristina Camargo é bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB), com período sanduíche na Universidade Drexel, nos Estados Unidos, onde foi bolsista da CAPES/MEC pelo programa Ciência Sem Fronteiras. Também pela UnB, tornou-se mestre em Ciências da Saúde. Pelo Instituto de Pesquisa de Jülich, na Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, é doutora em Biologia.

A pesquisadora atua no desenvolvimento de medicamentos contra a Doença de Alzheimer a partir do veneno de vespas, trabalho iniciado no mestrado e continuado no pós-doutorado, novamente com bolsa da Coordenação. Hoje, a cientista, que é professora na UnB, coordena linha de pesquisa com essa temática.

Fale da sua trajetória.

Como bolsista do Ciência Sem Fronteiras, em 2013, estagiei no laboratório do professor Mikael Akins sobre doenças raras do neurodesenvolvimento, nos Estados Unidos. Realizei mestrado na UnB, sob orientação da professora Márcia Renata Mortari, de 2015 a 2017, no qual padronizei o modelo pré-clínico da doença de Alzheimer induzido pela β-Amiloide e estudei um tratamento promissor para essa doença utilizando peptídeos sintéticos derivados do veneno de vespas sociais.

Realizei doutorado na Alemanha de 2018 a 2021. Por lá, padronizei e descrevi novos modelos transgênicos da Doença de Alzheimer, além de elucidar as propriedades farmacocinéticas e dinâmicas de peptídeos desenvolvidos pela técnica de mirror-phage display .

Sobre o que é a sua pesquisa? Explique o conteúdo da sua produção.

Meu foco de pesquisa consiste no desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da Doença de Alzheimer. Atualmente, coordeno duas linhas de pesquisa nesse sentido. A principal delas envolve a avaliação de uma molécula bioinspirada da peçonha da vespa Polybia Occidentalis , denominada octovespina. Esse peptídeo foi desenvolvido durante meu mestrado e apresentou efeito de inibição da agregação da β-amiloide. Esses efeitos também apresentaram uma melhora nos déficits cognitivos induzidos pela β-amiloide em camundongos quando a octovespina foi injetada diretamente no cérebro (via i.c.v.).

Esses efeitos não foram observados quando a octovespina foi injetada via subcutânea. A partir disso, estudamos tanto o potencial de tratamento da octovespina pela via intranasal nos modelos animais de Doença de Alzheimer induzido por β-amiloide quanto uma nanoformulação para facilitar a entrega por essa via. Além disso, em parceria com o grupo do Instituto de Física da UnB, testes para determinar outros possíveis alvos farmacológicos da octovespina têm sido calculados por bioinformática.

De que forma sua pesquisa pode contribuir para a sociedade?

Acredito que minha pesquisa pode impactar a sociedade em diversos aspectos, como a redução de custos para o SUS relacionados à Doença de Alzheimer, a valorização da biodiversidade brasileira e sua preservação e a melhoria da qualidade de vida por meio da popularização das informações sobre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

Como a Capes/MEC contribuiu para sua formação?

Recebi bolsas da Capes/MEC na graduação, pelo Ciência Sem Fronteiras, e no pós-doutorado, em 2023. Naquele ano, dei continuidade ao meu projeto de mestrado e desenvolvi novos peptídeos para a Doença de Alzheimer. O trabalho consiste em utilizar ferramentas de bioinformática em parceria com o Instituto de Física da UnB e a Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, para o desenvolvimento de novos compostos a partir da octovespina que impedem a agregação da β-amiloide e possuem propriedades farmacocinéticas mais favoráveis.

Pensando ainda no desenvolvimento de novos fármacos para a terapia da Doença de Alzheimer, iniciei o desenvolvimento de um modelo de barreira hematoencefálica com células humanas imortalizadas para diminuir o uso de animais e otimizar o desenvolvimento de moléculas que agem no cérebro. Ainda durante meu pós-doutorado aprovei dois projetos de pesquisa pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF): Edital Biolearning e demanda espontânea. Com esses projetos financiados, foram desenvolvidos quatro novos compostos a partir de peptídeos naturais de animais que já apresentaram efeitos promissores in silico e estão em fase de estudo não-clínico.

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