Dados apresentados pela Antaq nesta terça-feira (10) confirmam crescimento de 6,1% no ano; setor vive ciclo de expansão com aceleração de leilões e investimentos
O setor portuário brasileiro alcançou uma marca histórica. O Desempenho Aquaviário 2025, apresentado nesta terça-feira (10) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), mostrou que os portos nacionais movimentaram 1,4 bilhão de toneladas ao longo do ano passado. O volume representa um crescimento de 6,1% em relação a 2024 e reflete o aquecimento do comércio exterior e a capacidade de resposta da infraestrutura logística do país.
A apresentação dos dados foi feita pelo diretor-geral da Antaq, Frederico Dias. O evento contou com a presença do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, parlamentares e lideranças do segmento. Representando o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), estiveram o secretário nacional de Portos, Alex Ávila; a secretária-executiva adjunta, Thayrine Oliveira; e o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier.
O ano passado se encerrou com um desempenho elevado em dezembro. A movimentação de cargas saltou 14,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 119 milhões de toneladas em trinta dias, o que sinaliza uma tendência de alta para 2026.
Crescimento consistente
Os números representam um cenário de crescimento consistente ao longo dos anos. Nos últimos 15 anos, a movimentação de cargas no Brasil cresceu 67% , saindo de 840 milhões para o atual patamar de 1,4 bilhão de toneladas.
Durante o evento, o secretário nacional de Portos, Alex Ávila , destacou que esse resultado valida a política de Estado para o setor. “Sabemos da relevância e da pujança que o setor portuário tem para a economia e para todo o setor produtivo nacional, sobretudo no agronegócio. Esse recorde não é obra do acaso, mas fruto de um ambiente de estabilidade e segurança jurídica que construímos. Hoje, temos um modelo maduro, que atrai o investidor e garante que a nossa infraestrutura acompanhe a velocidade da produção brasileira”, afirmou.
Esse recorde não é obra do acaso, mas fruto de um ambiente de estabilidade e segurança jurídica que construímos” Alex Ávila
O diretor-geral da Antaq, Frederico Dias , reforçou que a precisão dos dados traz transparência ao mercado. “Hoje é dia de celebrar mais um recorde, que não é apenas um momento pontual, mas o reflexo de uma trajetória de crescimento consistente e da maturidade institucional do país. Os bons números são o melhor termômetro de que estamos cumprindo nosso papel. Ao divulgar esses dados, a Antaq reforça sua missão técnica de fornecer informações confiáveis para que o setor privado possa planejar investimentos e o poder público formular políticas consistentes, baseadas em evidências”, disse.
Destaques nas movimentações
Os dados do Anuário 2025 mostram um crescimento equilibrado. A movimentação nos Terminais de Uso Privado (TUPs) cresceu 7% (906,1 milhões de toneladas), enquanto nos portos públicos registrou alta de 4,5% (497 milhões de toneladas), com destaque para o Porto de Santarém (PA), que cresceu 13,2%. Um indicador importante do aquecimento da atividade industrial e do consumo foi o desempenho das cargas conteinerizadas. Esse segmento, que transporta produtos de maior valor agregado, movimentou 164,6 milhões de toneladas (+7,2%).
Entre as mercadorias, o agronegócio segue como protagonista absoluto. A soja registrou um crescimento expressivo, de 14%, totalizando 139,7 milhões de toneladas escoadas. Na outra ponta da cadeia, a importação de adubos e fertilizantes cresceu 10% (49,3 milhões de toneladas), sinalizando que os produtores estão aumentando os investimentos na preparação das próximas safras. Outro destaque foi a movimentação de gás de petróleo, que avançou 10,4%, somando 5,8 milhões de toneladas.
Investimentos e modernização
Além do recorde na movimentação, 2025 foi um ano decisivo para a infraestrutura. O MPor realizou oito leilões portuários que somam R$ 10,3 bilhões em investimentos nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Os projetos contemplam a ampliação de capacidade e modernização de terminais, incluindo obras estruturantes como o Túnel Santos-Guarujá e melhorias no Canal de Acesso de Paranaguá.
O ano também foi marcado pela forte expansão do capital privado. Foram assinados 39 atos (entre novas autorizações para TUPs e alterações contratuais) que totalizam R$ 5,81 bilhões em investimentos. Somam-se a isso outros R$ 2,07 bilhões viabilizados via gestão contratual, com aportes de operadores para modernização e ganhos de eficiência.
