Governo do Brasil, em parceria com Unesco, Governo do Reino Unido e agência de notícias Porvir, lançaram o Mapa Brasileiro de Educação Midiática, iniciativa que fortalece a formação crítica e promove o uso consciente da mídia nas escolas
Foi lançado nesta terça-feira, 10 de fevereiro, o Mapa Brasileiro de Educação Midiática , plataforma interativa que organiza e dá visibilidade a iniciativas de educação midiática desenvolvidas em diferentes regiões do Brasil. A ferramenta resulta de uma parceria entre o Governo do Brasil, por meio da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom-PR), a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o Governo do Reino Unido e a agência de notícias Porvir.
O mapa é uma plataforma interativa que organiza e dá visibilidade a 226 iniciativas selecionadas em todas as regiões do Brasil. O projeto foi desenvolvido a partir de um processo colaborativo iniciado com a Consulta Pública sobre Educação Midiática, realizada entre 2023 e 2024, que recebeu 496 inscrições de escolas, universidades, governos locais e organizações da sociedade civil. Em 2025, a curadoria final foi consolidada com o apoio técnico do Governo do Reino Unido e do Porvir.
Durante o webinário de lançamento do mapa, o diretor do Departamento de Direitos na Rede e Educação Midiática da Secom, David Almansa, destacou como a iniciativa é importante para a popularização do conceito de educação midiática. “Embora já tivéssemos, historicamente, um conjunto de iniciativas nessa área pelo país, não tínhamos um órgão central dentro da estrutura do Governo do Brasil que tivesse como uma de suas tarefas buscar mapear essas ações e dar visibilidade a iniciativas que muitas vezes acontecem em um pequeno território de uma comunidade mais distante dos grandes centros urbanos.”
MAPA DE EDUCAÇÃO MIDIÁTICA — Os dados levantados no Mapa Brasileiro da Educação Midiática Identificam e organizam ações, recursos e práticas capazes de inspirar novas iniciativas e fortalecer a educação midiática em diferentes contextos – da educação básica e superior a projetos da sociedade civil e outras iniciativas do poder público. O resultado é um mapa interativo que reúne 225 iniciativas de todas as regiões do Brasil, oferecendo um panorama diverso e inspirador sobre como a educação midiática vem sendo promovida no nosso país.
A educomunicadora Cristiane Parente afirmou que a ideia do mapeamento, em 2024, era entender, de que forma, o tema estava sendo trabalhado e compreendida nas diversas áreas do Brasil. “A gente sabe que educação midiática não é algo específico da educação. Então, poderíamos ter escolas, organizações culturais, universidades, vários cursos nas universidades trabalhando esse tema. Procuramos identificar se tinha outras organizações em algum outro lugar que estivesse trabalhando esse tema, que conceitos poderiam estar sendo usados para além de educação midiática, porque esse conceito de educação midiática é apenas um dentre outros que são utilizados”, lembrou.
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- Plataforma interativa organiza e dá visibilidade a iniciativas de educação midiática desenvolvidas em diferentes regiões do Brasil. Foto: Divulgação
INICIATIVAS — Inédito no país, o Mapa Brasileiro de Educação Midiática reúne experiências que promovem o pensamento crítico, a cidadania digital, a análise da mídia, a produção de conteúdo, a checagem de fatos e o letramento digital, oferecendo inspirações e recursos para educadores, gestores públicos, pesquisadores e formuladores de políticas. A plataforma permite buscas por região, tipo de instituição, formato de aplicação e abordagem metodológica.
A jornalista e diretora executiva da Agência Porvir, Tatiana Klix, apontou a diversidade de atores envolvidos com a educação midiática no país. “Não é uma coisa só da escola ou da universidade. Tem diferentes atores que estão promovendo a educação midiática, além de uma diversidade regional. Ainda que a gente observe uma concentração maior no sudeste, o mapa conseguiu chegar a todas as regiões, a todos os estados do Brasil.”
Entre as experiências mapeadas, destacam-se projetos que unem tecnologia a saberes ancestrais e linguagens regionais, como:
- Saúde na Floresta (PA), da Rede Mocoronga de Comunicação Popular, que forma jovens comunicadores ribeirinhos e indígenas articulando saúde, educação e sustentabilidade;
- Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis (SC), que há 24 anos democratiza o acesso à cultura e promove a formação audiovisual de professores e estudantes;
- Vozes Daqui Parelheiros (SP), agência de comunicação que conecta juventudes, saberes ancestrais e ações de reflorestamento no extremo sul de São Paulo;
- COAR Notícias (PI), projeto que combate a desinformação com linguagem regional e ações educativas em escolas e universidades;
- Educom.Indígena (MT), iniciativa da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso) que estimula a produção de podcasts e reflexões sobre tecnologia em territórios indígenas.
A coordenadora do projeto Educom.Indígena, Antonia Alves, explicou que a iniciativa nasceu a partir de uma proposta de troca de saberes. “A partir do curso de Jornalismo, foi estabelecida uma parceria para que os estudantes dialogassem com alunos e professores dos cursos interculturais. Ao longo desse processo, foram definidos os formatos de atuação. Considerando a distância dos territórios indígenas, optou-se por iniciar as atividades e oficinas no espaço de alojamento dos participantes, na Faculdade Indígena Intercultural, vinculada à Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), de modo que, a partir dali, eles atuassem como multiplicadores nas aldeias.”
Também presente no lançamento, Marta Alencar, fundadora da COAR Notícias, conta que o projeto surgiu em homenagem à Fabiane Maria de Jesus, mulher que foi vítima de desinformação, em 2014, em Guaruja (SP). “Surgimos com uma iniciativa de fact-check. Começamos a fazer muitas check-outs, principalmente no interior do Nordeste, só que a gente percebeu que, em pouco tempo, conquistamos outras regiões do Brasil”, informou durante webinário.
“Hoje, trabalhamos com podcast, com checagens em áudios, que enviamos para várias rádios comunitárias. São mais de 300 rádios comunitárias, inclusive rádios que estão localizadas em desertos de notícias, porque estamos no Piauí, estado com o maior número de desertos de notícias”, explicou Marta.
SEGUNDA CHAMADA — Depois de reunir 226 iniciativas, o Mapa Brasileiro de Educação Midiática entra em uma nova fase de atualização colaborativa. Está aberta, até 16 de março, a segunda chamada pública para incluir experiências e recursos que promovem o uso das mídias de forma crítica, responsável e criativa, impulsionando a aprendizagem e fortalecendo a cidadania digital.
Esta nova etapa busca ampliar a rede de educadores, pesquisadores e organizações que estão transformando a relação entre educação e mídia no país, valorizando a diversidade, a representatividade e a criatividade das experiências desenvolvidas em todo o território nacional.
