Foi publicado, esta semana, o Monitoramento clínico do HIV e da aids na população trans: uma análise agregada com foco em mulheres trans e travestis – Sumário Executivo 2025 . O material foi divulgado também em comemoração ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, e representa um marco para a vigilância em saúde no Brasil, pois incorpora dados sistematizados, pela primeira vez em nível nacional, sobre o percurso de cuidado de pessoas trans vivendo com HIV e/ou aids no Sistema Único de Saúde (SUS) .
“O documento amplia a capacidade de análise do Ministério da Saúde ao utilizar a identidade de gênero como eixo central para a produção de evidências, qualificando a tomada de decisão e o planejamento de políticas públicas”, afirma Draurio Barreira, o diretor do Departamento de HIV, Aids, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (Dathi/SVSA/MS).
Elaborado a partir de informações dos sistemas nacionais de saúde, o monitoramento descreve a cascata de cuidado, desde o diagnóstico até a supressão viral, e analisa indicadores como início e continuidade do tratamento antirretroviral (Tarv), atraso na retirada de medicamentos e interrupção do cuidado. Os resultados destacados na publicação apontam avanços importantes no acesso ao diagnóstico e ao tratamento entre pessoas trans, especialmente mulheres trans e travestis, ao mesmo tempo em que tornam visíveis lacunas persistentes ligadas a barreiras estruturais como estigma e discriminação na vinculação e na adesão sustentada ao cuidado nos serviços de saúde.
Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS) , Mariângela Simão, ao explicitar desigualdades segundo raça/cor, escolaridade e território, o documento reforça o papel estratégico da vigilância para identificar grupos e contextos que demandam respostas prioritárias. “Essas informações são fundamentais para orientar ações mais focalizadas, apoiar gestores locais e fortalecer a integração entre vigilância e atenção à saúde, contribuindo para a redução de iniquidades historicamente observadas na resposta ao HIV e à aids”, ressalta.
Do ponto de vista da promoção da saúde e da equidade, o monitoramento reafirma o compromisso do SUS com uma atenção integral, livre de discriminação e orientada pelos direitos humanos. Ao dar visibilidade às trajetórias de cuidado de pessoas trans e travestis, o documento subsidia o aprimoramento de práticas assistenciais, a qualificação das equipes de saúde e o enfrentamento de barreiras institucionais, como o estigma e a transfobia, que impactam diretamente a permanência dessas pessoas no cuidado.
Webinário debaterá monitoramento clínico da saúde da população trans pelos serviços locais
O fortalecimento do uso de dados desagregados por identidade de gênero contribui para o acompanhamento das metas nacionais e globais de enfrentamento do HIV, alinhando-se às diretrizes para a eliminação da aids como problema de saúde pública até 2030. “A atualização cadastral e o preenchimento qualificado das informações nos sistemas de vigilância e assistência são fundamentais para ampliar a visibilidade da população trans e qualificar a produção de evidências para a tomada de decisão no SUS, tornando-o mais equitativo, inclusivo e atento à diversidade da população brasileira”, destaca Draurio Barreira, diretor do Dathi/SVSA/MS.
Em 2025, por meio das notas técnicas 242 e 243, o Ministério da Saúde divulgou orientações aos serviços de saúde com o objetivo de fortalecer o monitoramento clínico e o planejamento de ações equitativas relacionadas à população trans. A incorporação dessas orientações será debatida nesta quinta-feira (29), às 15h, durante o webinário “Diálogos em Prevenção: Monitoramento Clínico de HIV e Aids na População Trans”. A transmissão do evento ocorrerá pelo canal da SVSA/MS no Youtube .
Ministério da Saúde
