Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
O Governador
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
O GovernadorO Governador
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Governo

Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania se manifesta contra a redução da maioridade penal

2 de março de 2026
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania se manifesta contra a redução da maioridade penal
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania se manifesta contra a redução da maioridade penal
Compartilhar

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania manifesta posição firme e inequívoca contrária à redução da maioridade pena, por entender que tal proposta é inconstitucional, ineficaz para o enfrentamento da violência e incompatível com os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de direitos humanos.

A adolescência é a menor fase da vida, sendo um verdadeiro rito de passagem entre a infância e a vida adulta, compreendendo o período entre os 12 e os 18 anos de idade — apenas seis anos de toda a existência de uma pessoa.

Trata-se de uma etapa peculiar de formação, desenvolvimento e amadurecimento físico, emocional, social e cognitivo. Não por acaso, o legislador brasileiro estabeleceu limites rigorosos à medida mais gravosa do sistema socioeducativo — a internação — fixando sua duração máxima em três anos, o que já representa metade dessa fase da vida. Essa limitação revela a preocupação constitucional com a proteção integral e com a condição de pessoa em desenvolvimento, demandando a incidência de um sistema de justiça especializado, com regras próprias e garantias específicas.

No Brasil, ao contrário do que a firma o senso comum, adolescentes não são impunes. Desde os 12 anos de idade, podem ser responsabilizados por atos infracionais, mediante devido processo legal, com direito à ampla defesa e ao contraditório. Caso reconhecida a responsabilidade, são aplicadas medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que incluem advertência, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. O que se afasta é a submissão ao sistema penal comum, incompatível com sua condição peculiar de desenvolvimento.

A proposta de redução da maioridade penal afronta diretamente o Constituição Federal de 1988. O artigo 228 estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, estando sujeitos a legislação especial. Trata-se de um direito fundamental, protegido como cláusula pétrea, não passível de supressão por emenda constitucional. Portanto, além de inadequada sob a perspectiva das políticas públicas, a redução da maioridade penal é materialmente inconstitucional.

É preciso enfrentar o debate com base em evidências. Os principais responsáveis pelos altos índices de criminalidade no país são fatores complexos e multifacetados, que envolvem organizações criminosas estruturadas, atuação de facções, desigualdades históricas, desemprego, exclusão social, evasão escolar, desestruturação familiar e fragilidades nas políticas públicas de prevenção.

Os adolescentes não são os principais autores dos crimes violentos no Brasil. Ao contrário, são, em grande medida, as maiores vítimas da violência letal. A comoção gerada por atos infracionais cometidos por adolescentes — frequentemente amplificada pela cobertura midiática — não pode distorcer os dados nem justificar soluções simplistas para problemas estruturais.

A responsabilização socioeducativa existe e deve ser qualificada. O que precisamos fortalecer é a prevenção, a educação, a inclusão produtiva, a saúde mental, a assistência social e o apoio às famílias. É preciso investir em políticas públicas estruturantes, e não ampliar o encarceramento. A experiência nacional e internacional demonstra que a prisão precoce amplia a reincidência e fortalece a vinculação de jovens a organizações criminosas.

A redução da maioridade penal também contraria os parâmetros internacionais de direitos humanos, como aqueles estabelecidos na Convenção sobre os Direitos da Criança, que reconhece adolescentes como sujeitos de direitos e recomenda a adoção de sistemas de justiça juvenil especializados, com foco na responsabilização proporcional, na reintegração social e na proteção integral.

Adolescentes são pessoas em desenvolvimento, com maior plasticidade cognitiva e emocional, maior potencial de reintegração e transformação. Equipará-los a adultos no sistema penal comum ignora evidências científicas sobre desenvolvimento humano e compromete seu futuro e o futuro do país.

A verdadeira resposta à violência não está na redução de direitos, mas na ampliação de oportunidades. Está no fortalecimento do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, na garantia de políticas públicas integradas e na construção de uma cultura de prevenção e promoção de direitos.

Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Assuntos Governo
Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print

Você pode gostar também

Pé-de-Meia Licenciaturas: saiba como se cadastrar
Governo

Pé-de-Meia Licenciaturas: saiba como se cadastrar

2 de março de 2026
Integrar segurança pública com estados e municípios é prioridade, diz ministro da Justiça
Governo

Integrar segurança pública com estados e municípios é prioridade, diz ministro da Justiça

2 de março de 2026
UFRJ recupera área ocupada irregularmente por entidade privada
Governo

UFRJ recupera área ocupada irregularmente por entidade privada

2 de março de 2026
Megaleilões marcam novo ciclo de expansão dos portos brasileiros
Governo

Megaleilões marcam novo ciclo de expansão dos portos brasileiros

2 de março de 2026
Ministro da Defesa prestigia as primeiras mulheres no serviço militar inicial
Governo

Ministro da Defesa prestigia as primeiras mulheres no serviço militar inicial

2 de março de 2026
Governo inicia qualificação de Agentes Indígenas de Saneamento na Terra Indígena Yanomami
Governo

Governo inicia qualificação de Agentes Indígenas de Saneamento na Terra Indígena Yanomami

2 de março de 2026
Modelo do Cadastro Único brasileiro é referência internacional
Governo

Modelo do Cadastro Único brasileiro é referência internacional

2 de março de 2026
Turismo no Brasil: março oferece opções de tradições regionais, eventos de fé e esportes
Governo

Turismo no Brasil: março oferece opções de tradições regionais, eventos de fé e esportes

2 de março de 2026
Governo do Brasil alerta para risco de tráfico de brasileiros atraídos por ofertas de trabalho no Sudeste Asiático
Governo

Governo do Brasil alerta para risco de tráfico de brasileiros atraídos por ofertas de trabalho no Sudeste Asiático

2 de março de 2026
Portos do Sudeste movimentam quase 700 milhões de toneladas em 2025
Governo

Portos do Sudeste movimentam quase 700 milhões de toneladas em 2025

2 de março de 2026
Investimento de R$ 14 milhões ampliará tratamento de doenças raras no Rio de Janeiro
Governo

Investimento de R$ 14 milhões ampliará tratamento de doenças raras no Rio de Janeiro

2 de março de 2026
Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE
Governo

Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE

2 de março de 2026
O GovernadorO Governador