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Governo

Lula em Paris: parceria é a melhor resposta à ameaça do protecionismo

5 de junho de 2025
Lula em Paris: parceria é a melhor resposta à ameaça do protecionismo
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Presidente brasileiro fez declaração à imprensa, na companhia do colega francês, Emmanuel Macron. Lula destacou que trabalho conjunto será importante também na defesa do clima. Assista

Na manhã desta quinta-feira (5/6) em Paris – madrugada no Brasil – , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declaração formal à imprensa, acompanhado do colega francês, Emmanuel Macron. Após a declaração, composta pela leitura de um texto previamente escrito e comentários de improviso do presidente brasileiro, Lula e Macron responderam perguntas dos jornalistas presentes.

Em sua declaração, Lula destacou que o fortalecimento das relações comerciais e políticas entre Brasil e França é a melhor alternativa dos dois países às tentativas de enfraquecimento do multilateralismo. “Esta é a melhor resposta que nossas regiões podem dar diante do cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e protecionismo tarifário”, afirmou Lula, em referência indireta ao aumento de tarifas e restrições de circulação de estrangeiros adotadas pelo presidente estadunidense, Donald Trump.

O brasileiro também ressaltou que as duas nações podem contribuir mais com a defesa do planeta contra as mudanças climáticas e o negacionismo ainda em vigor. Para Lula, a presença de ambos países na região amazônica – a França, por intermédio da Guiana – é um traço que pode favorecer um trabalho conjunto.

“Defender o regime multilateral do clima é outra prioridade compartilhada. A COP 30 marca os dez anos do Acordo de Paris e aproxima França e Brasil no combate ao aquecimento global”, afirmou Lula.

O presidente brasileiro defendeu ainda o fortalecimento das transações comerciais, e que o acordo Mercosul-União Europeia é um instrumento que vai ter efeito positivo nesse campo.

Mais informações sobre a entrevista serão publicadas em breve.

Leia a declaração de Lula e assista ao vídeo, na cobertura do Canal Gov:

“O presidente Macron recebeu minha comitiva com a hospitalidade que somente um grande amigo pode oferecer.

Esta visita de Estado é a primeira que um mandatário brasileiro faz à França em 13 anos.

Algumas vertentes do relacionamento bilateral se enfraqueceram nesse período, como o diálogo político e o comércio.

O primeiro passo para mudar essa realidade foi a visita histórica do presidente Macron ao Brasil, no ano passado.

Minha presença aqui em Paris consolida essa reaproximação.

Não poderia haver dia mais simbólico para realizar esse propósito.

Hoje, 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Na reunião que tivemos esta manhã, discutimos ampla agenda bilateral.

Passamos em revista os avanços na implementação do Plano de Ação firmado em 2024.

Os mais de 20 instrumentos assinados hoje refletem a diversidade e a densidade da nossa relação.

O Brasil desenvolveu com a França importantes projetos bilaterais em áreas de ponta, como o Satélite Geoestacionário de Comunicações e o supercomputador Santos Dumont.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos é a maior iniciativa de cooperação em defesa já empreendido por nosso país.

Seu legado é o de garantir a soberania brasileira sobre nosso vasto espaço marítimo além de construir um dos estaleiros mais modernos no mundo em Itaguaí, no Rio de Janeiro.

Queremos lançar uma nova etapa na parceria que trouxe para Itajubá, Minas Gerais, a única fábrica de helicópteros do hemisfério Sul.

Estamos discutindo uma nova encomenda de aeronaves para dotar o governo brasileiro de meios para combater a criminalidade e enfrentar desastres naturais de forma mais eficaz.

Como vizinhos que compartilham extensa fronteira amazônica, apostamos nos benefícios da integração.

O “Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica”, que reativamos em 2024, vai financiar pesquisas conjuntas ainda neste ano.

O fim do regime diferenciado de vistos é um pleito de longa data para facilitar o trânsito regular de pessoas entre o Amapá e a Guiana Francesa.

Isso promoverá o turismo e o comércio das comunidades transfronteiriças.

Integrar também implica coordenar esforços para combater o tráfico, o garimpo ilegal e o desmatamento.

Esse é o espírito do Acordo assinado hoje pela Polícia Federal e sua contraparte francesa.

A luta contra o crime organizado também motiva minha visita à sede da Interpol, em Lyon.

Dirigida pela primeira vez por um brasileiro, a organização é chave nos esforços multilaterais para o enfrentamento a ilícitos transnacionais, em especial o narcotráfico e a exploração de crianças e adolescentes.

Ressaltei ao presidente Macron que o intercâmbio bilateral não condiz com a envergadura de nossa Parceria Estratégica.

No plano comercial, não é possível que os valores registrados em 2024 (9 bilhões de dólares) sejam inferiores aos observados em 2012.

O evento empresarial que realizaremos amanhã é um passo para corrigir isso, atrair mais investimentos e integrar cadeias produtivas.

Expus ao presidente Macron minha convicção sobre o papel estratégico da parceria entre o MERCOSUL e a União Europeia.

Esta é a melhor resposta que nossas regiões podem dar diante do cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e protecionismo tarifário.

Defender o regime multilateral do clima é outra prioridade compartilhada.

A COP30 marca os dez anos do Acordo de Paris e aproxima França e Brasil no combate ao aquecimento global.

Firmamos hoje dois atos que fortalecerão a cooperação em matéria de hidrogênio de baixo carbono e de descarbonização do setor marítimo.

Minha participação na Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, em Nice, ressaltará a importância dos mares como reguladores climáticos e fontes de biodiversidade.

Os biomas marítimos demandam o mesmo nível de atenção e de compromisso que as florestas tropicais.

É chegada a hora de cumprir as promessas que fizemos para o planeta e as futuras gerações.

Até novembro, todos os países deverão apresentar suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas, com metas de redução de emissões de carbono até 2035.

O Brasil está comprometido com a redução entre 59% e 67% de emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

Sem mobilizar 1,3 trilhão de dólares para o enfrentamento da mudança do clima, corremos o risco de criar um apartheid climático.

As Nações Unidas completam 80 anos padecendo de grave déficit de legitimidade e eficácia.

A guerras na Ucrânia e em Gaza, a situação no Haiti e tantas outras crises esquecidas demonstram que a reforma do Conselho de Segurança da ONU é inadiável.

Como disse o presidente Macron recentemente, reconhecer o estado palestino é um dever moral e uma exigência política.

O Brasil foi um dos primeiros países na América Latina a fazê-lo.

Todos esses conflitos consomem recursos valiosos para o desenvolvimento.

A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil no âmbito do G20, no ano passado, quer inverter essa lógica e voltar a colocar a vida humana no centro da agenda internacional.

Sei que podemos contar com a França. Em 2025, completamos 200 anos de relações bilaterais com o olhar voltado para o futuro.

Essa construção conjunta passa pelo aprofundamento dos laços e do intercâmbio entre nossas sociedades.

Esse é o propósito da atualização do Acordo de Cooperação Cultural assinada pela ministra Margareth Menezes.

É, também, o espírito das centenas de eventos que ocorrem na França e no Brasil, desde abril, no âmbito das Jornadas Culturais Cruzadas, que o presidente Macron e eu decidimos lançar no ano passado.

Caro amigo Macron,

Esta data, também é um triste marco para os que lutam pelo meio ambiente e os povos indígenas.

Há três anos, Bruno Pereira e Dom Phillips, dois gigantes na defesa da Amazônia, foram covardemente assassinados.

O Brasil e a UNESCO decidiram homenageá-los batizando com seus nomes as bolsas de jornalismo investigativo sobre integridade da informação e mudança do clima.

Há duas semanas perdemos o genial Sebastião Salgado, um dos maiores fotógrafos do mundo. Sua câmera retratou o sofrimento dos oprimidos e serviu como a consciência de toda a humanidade.

A melhor maneira de honrá-los é garantir que suas lutas não foram em vão e assegurar que permaneceremos firmes na defesa da democracia, da paz e do desenvolvimento sustentável.

Muito obrigado.”

Assuntos Governo
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