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Governo

Encontro entre Índia e Brasil é reunião de superlativos, diz Lula. ‘Defensores do multelateralismo e da paz’

21 de fevereiro de 2026
Encontro entre Índia e Brasil é reunião de superlativos, diz Lula. 'Defensores do multelateralismo e da paz'
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Presidente Lula exalta importância mútua de Brasil e Índia. E destaca potencial complementar dos dois países para a transição das economias e da governança globais

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Assista à declaração de Lula à imprensa, ou leia íntegra a seguirRepresentantes de Brasil e Índia assinaram neste sábado oito atos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou neste sábado, na Índia, semelhanças entre Brasil e Índia e a importância dos dois países para a reconfiguração da relações multilaterais no mundo. A lado do presidente da Índia, Narendra Modri, pro quem foi recebido em visita de estado, o líder brasileiro reiterou a defesa da reformulação de organismos como a ONU e da ampliação da influência do Sul Global nas decisões que afetam o futuro da humanidade.

Em declaração à imprensa feita ao lado do chefe de Estado indiano, Lula destacou o potencial das parcerias entre os dois Países nas áreas de tecnologia, inovação, transição energética, indústria da saúde, agricultura e pecuária. 

O encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos: não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo. De uma superpotência digital com uma superpotência da energia renovável. Somos megadiversos e polos da indústria cultural. Defensores do multilateralismo e da paz”, destacou Lula.

O Governo do Brasil participou de vários eventos desde a quarta-feira (19/2) em Nova Délhi. Representantes das áreas de saúde, educação, indústria, comércio, gestão pública, ciência e tecnologia, agricultura, infraestrutura e meio ambiente, entre outras, discutiram potencial de parcerias. Manifestaram a necessidade de regulação para que a inteligência artificial não se subordine a interesses de poucos e do lucro, em detrimento dos benefícios que pode proporcionar à qualidade de vida no mundo. E neste domingo (22/2) está prevista a participação de Lula no encerramento de fórum empresarial ao qual o Brasil levou centenas de empresários de diversas áreas.

Narendra Modi ressaltou o compromisso de elevar o comércio bilateral para além de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos, e destacou a cooperação em diferentes áreas.

“O nosso comércio não é só um número, ele é um símbolo de nossa confiança mútua. A nossa cooperação na área de agricultura e resiliência climática, agricultura de precisão, biofertilizantes, vai fortalecer a segurança alimentar de ambos os países. Temos possibilidades ilimitadas de cooperação na área de saúde, na área farmacêutica, e vamos trabalhar para melhorar o fornecimento de medicamentos a preço acessível e de qualidade para o Brasil. Nós também concordamos que, para contemplarmos os desafios do momento atual, as reformas nas instituições internacionais são obrigatórias”, frisou.

AÇÃO – Lula recordou a visita do primeiro-ministro indiano ao Brasil, em julho de 2025, quando os dois países reestruturaram sua agenda bilateral de cooperação em cinco eixos: Defesa e Segurança; Segurança Alimentar e Nutricional; Transição Energética e Mudança do Clima; Transformação Digital e Tecnologias Emergentes; e Parcerias Industriais em Áreas Estratégicas. “Hoje, em Nova Délhi, no ano em que celebramos 20 anos do estabelecimento da Parceria Estratégica Brasil – Índia, estamos passando à ação. Assinamos diversos acordos que dão concretude à nossa cooperação nesses campos”, ressaltou Lula.


Assista à declaração de Lula à imprensa, ou leia íntegra a seguir

Excelentíssimo senhor Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi, amigos ministros da Índia, amigos e amigas ministros e ministras do Brasil.

Meu caro amigo Modi,

É motivo de alegria retornar pela sexta vez a este grande país.

O encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos:

Não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global.

Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo.

De uma superpotência digital com uma superpotência da energia renovável.

Somos ambos países megadiversos e pólos da indústria cultural.

Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz.

O convite do Primeiro-Ministro Modi para esta Visita de Estado e também para participar da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial demonstra a sintonia e a confiança mútua que nos unem.

Há poucos meses, em julho de 2025, tive a honra de receber meu amigo Modi em Brasília.

Sua visita foi um divisor de águas.

Naquela ocasião, reestruturamos a agenda bilateral de cooperação em cinco eixos:

i. Defesa e Segurança;
ii. Segurança Alimentar e Nutricional;
iii. Transição Energética e Mudança do Clima;
iv. Transformação Digital e Tecnologias Emergentes;
v. Parcerias Industriais em Áreas Estratégicas.

Hoje, em Délhi, no ano em que celebramos 20 anos do estabelecimento da Parceria Estratégica Brasil – Índia, estamos passando à ação.

Por isso, a preparação desta visita envolveu a vinda do meu Vice-Presidente Geraldo Alckmin e de uma delegação empresarial no ano passado.

Envolveu, também, a vinda antecipada de vários ministros e de trezentos empresários nesta semana.

Assinamos diversos acordos que dão concretude à nossa cooperação nesses campos.

A notável evolução indiana em setores de ponta — como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial — criam muitas oportunidades de cooperação com o Brasil.

A Parceria Digital para o Futuro com a Índia – a primeira desse tipo para o Brasil – traduz nosso compromisso com uma agenda que coloca a tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo.

Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje.

No marco da Aliança Global para Biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global. 

O estabelecimento de sinergias entre os complexos industriais da saúde de nossos países também é uma parte central da cooperação bilateral.

Índia e Brasil trabalham lado-a-lado, há décadas, na defesa do acesso equitativo a medicamentos, sobretudo genéricos, e da soberania sanitária na Organização Mundial da Saúde.

Nesta visita, a FioCruz assinou diversos acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, como a vacina para tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e para doenças negligenciadas e raras.

Também há grande potencial de colaboração na área de hospitais inteligentes, como o que o ministro Padilha visitou em Bangalore há dois dias.

Na área da defesa, nossa indústria aeronáutica vem fortalecendo sua presença na Índia, como comprova a abertura do Escritório da Embraer em Nova Délhi.

O acordo trilateral entre a Mazagoan Dock e as Marinhas indiana e brasileira vai integrar as atividades de manutenção de submarinos da Classe Scorpène e de outros navios militares.

Todos esses esforços contribuirão para alcançarmos a meta que o Primeiro-Ministro Modi e eu acordamos no ano passado: elevar nosso comércio a 20 bilhões de dólares até 2030.

Em 2025, o fluxo bilateral superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez na história, um crescimento de 25% em relação a 2024.  

Estamos avançando tão rápido que deveríamos revisitar nosso objetivo para chegar a 30 bilhões de dólares de intercâmbio.

O acordo para ampliar a validade dos vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos constitui um passo inicial para facilitar e aumentar o fluxo de pessoas entre nossos países.

Da mesma forma, o Fórum Econômico Brasil – Índia reunirá cerca de 600 representantes dos setores privados dos dois países em torno de inúmeras oportunidades de negócios.

Como resposta ao unilateralismo comercial, tanto o Mercosul como a Índia concluíram recentemente acordos de livre comércio com a União Europeia.

É, portanto, mais do que natural que o Mercosul e a Índia trabalhem para ampliar de forma significativa o Acordo de Comércio Preferencial que já existe entre nós.

Meus amigos e minhas amigas,

Um cenário global turbulento exige que nossos países aprofundem seu diálogo estratégico.

Recebi a presidência do G20 do Primeiro-Ministro Modi, em 2024.

Este ano, a Índia recebeu do Brasil a presidência do Brics.

Esse “trânsito de presidências” entre nossos países é extremamente benéfico para os interesses do Sul Global.

Índia e Brasil são vozes fundamentais nas Nações Unidas, na OMC e no G20.

Somos parceiros na construção de uma governança multilateral mais justa, pacífica e regida pelo Direito Internacional.

O Primeiro-Ministro Modi e eu conversamos longamente sobre a perseverança no caminho da Paz.

Não há possibilidade de desenvolvimento sustentável e justo em um mundo conflagrado.

Como afirmou o Primeiro-Ministro Modi na Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, “é impossível rodar um software do século 21 em velhas máquinas de escrever do século 20”.

Reiteramos nosso compromisso com a reforma da ONU, especialmente do Conselho de Segurança, que represente os interesses do Sul Global e que tenham Brasil e Índia como candidaturas naturais. 

Aqui é importante lembrar à imprensa indiana e brasileira que, há mais de 20 anos, Brasil, Índia, Alemanha e Japão construíram um grupo chamado G4 defendendo a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, coisa que não aconteceu até agora, mas certamente vai acontecer logo. Porque a ONU precisa de mais representatividade

A ONU precisa ter força para interferir nos conflitos que existem pelo mundo hoje, e ela sendo inoperante não vai resolver. Por isso nós vamos continuar a luta para que a ONU seja mais representativa, mais países do mundo inteiro, e mais Índia e Brasil no Conselho de Segurança como membros permanentes.

A ampliação das categorias de membros permanentes e não permanentes é condição essencial para conferir legitimidade e eficácia à governança global, em meio a tantos desafios.

Apoiamos os esforços pelo fim da guerra na Ucrânia.

É igualmente urgente aliviar o sofrimento do povo Palestino.

O Brasil repudiou veementemente os atentados na Caxemira. 

Sabemos que o terrorismo não está associado a nenhuma religião ou nacionalidade.

Também não pode ser confundido com os desafios de segurança pública que muitos países enfrentam.

São fenômenos distintos e que não devem servir de pretexto para intervenções à margem do direito internacional.

Reafirmei ao Primeiro-Ministro Modi que o Brasil está comprometido com a manutenção da América do Sul como zona de paz.

Afinal, as únicas guerras que a humanidade deve lutar são as contra a fome, a pobreza e a degradação do meio ambiente.

Esta visita de Estado traça um novo capítulo para a longa jornada de cooperação bilateral entre Brasil e Índia.

Meu caro amigo Modi,

Eu queria terminar dizendo a Vossa Excelência que tenha certeza absoluta de que o olhar do Brasil para a Índia é um olhar muito, muito esperançoso. Nós temos na Índia um país com muitas similaridades. Apesar da diferença de quantidade de habitantes, vários dos nossos problemas são similares, nossos conhecimentos científicos e tecnológicos estão próximos e, se nós trabalharmos juntos, a gente vai fortalecer a relação bilateral Brasil-Índia, a gente vai fortalecer a nossa relação com o Mercosul e a gente vai fortalecer o Sul Global, para que a gente não entre nunca mais numa guerra fria entre duas potências.

Muito obrigado.


Representantes de Brasil e Índia assinaram neste sábado oito atos

  1. Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro.
  2. Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas do Governo da República da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil sobre Cooperação no Campo de Elementos de Terras Raras e Minerais Críticos.
  3. Acordo de Cooperação Bilateral entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia (CSIR) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial do Brasil (INPI) para Acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL).
  4. Memorando de Entendimento entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos, Diretoria-Geral de Serviços de Saúde (CDSCO/DGHS), Ministério da Saúde e Bem-Estar Familiar, Governo da Índia.
  5. Memorando de Entendimento para Cooperação no Setor Postal entre o Ministério das Comunicações do Brasil e o Departamento de Correios, Ministério das Comunicações, Governo da República da Índia.
  6. Memorando de Entendimento entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil e o Ministério das Micro, Pequenas e Médias Empresas da Índia sobre Cooperação no Campo das Micro, Pequenas e Médias Empresas.
  7. Memorando de Entendimento entre o Ministério do Aço da Índia e o Ministério das Minas e Energia do Brasil no Campo da Mineração para a Cadeia de Suprimentos do Aço.
  8. Memorando de Entendimento sobre o Uso de Certificados Eletrônicos de Origem entre o Brasil e a Índia.
Lula em cerimônia de oferenda floral a Gandhi.jpg
Lula durante cerimônia de oferenda floral em homenagem a Mahatma Gandhi, no Memorial Raj Ghat

AGENDA – Antes da solenidade que marcou a assinatura dos atos e a declaração à imprensa, o presidente Lula e sua delegação foram recebidos no Palácio Presidencial (Rashtrapati Bhawan) com honras de chefe de Estado pela presidenta da Índia, Droupadi Murmu, e pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Na sequência, Lula visitou o Memorial Mahatma Gandhi (Raj Ghat), onde depositou flores e prestou sua homenagem ao líder indiano, morto em janeiro de 1948. Lula e Modi ainda se reuniram a portas fechadas e, depois, participaram de uma reunião ampliada com representantes dos dois países.

Assuntos Governo
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