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Governo

Em Davos, GOV.BR é apresentado como referência de integração de serviços públicos

20 de janeiro de 2026
Em Davos, GOV.BR é apresentado como referência de integração de serviços públicos
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A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck , participou de dois eventos destinados ao fortalecimento da agenda de governança digital global nesta terça-feira, 22 de janeiro, em Davos, na Suíça . O principal compromisso foi a Reunião de Alto Nível da Colaboração Digital Global (GDC na sigla em inglês), que reúne governos, sociedade civil, organismos internacionais e empresas com foco no desenvolvimento de soluções digitais confiáveis, interoperáveis e voltadas ao interesse público.

Tópicos da matéria
Transformação digital com foco nas pessoas Inclusão digital e enfrentamento das desigualdades Infraestrutura pública digital e CIN Caixa postal GOV.BR

O outro momento foi a participação em painel do Fórum Econômico Mundial sobre infraestruturas públicas digitais. Nas duas oportunidades, a ministra defendeu que a transformação digital precisa ter foco nas pessoas e é preciso avançar, com segurança, na interoperabilidade dos dados para construir políticas públicas mais integradas.

O Brasil foi eleito, em dezembro de 2025, para coordenar o núcleo governamental do GDC, composto por dez países, passando a exercer papel central na articulação de agendas internacionais relacionadas à identidade, carteiras e credenciais digitais, padrões de interoperabilidade e mecanismos de confiança no ambiente digital. A presidência é compartilhada com Banco Mundial, Google e Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Ao tratar do papel d a GDC, Esther Dweck lembrou que essa colaboração global foi concebida para debater uma infraestrutura digital confiável e interoperável. Para a ministra, como co-presidente do Conselho do GDC, a interoperabilidade deve ser compreendida como um elemento central da capacidade do Estado de entregar políticas públicas e serviços à população. “A interoperabilidade não é um detalhe técnico. Ela é capacidade de entrega. Ela se torna real quando está ancorada em um caso de uso bem definido, dentro de um ecossistema claro de emissores, carteiras e verificadores”, destacou. A partir da interoperabilidade, diferentes bases de dados (como de educação, saúde, trabalho etc) podem conversar com segurança entre si , permitindo a construção de políticas públicas integradas.

Como exemplos brasileiros que já usam a interoperabilidade, a ministra citou o PIX (e contou que ele é usado inclusive por pessoas em situações de rua no Brasil) e o Conecta.Gov, programa que promove a troca automática e segura de informações entre os sistemas públicos para que as pessoas não tenham que reapresentar informações que o governo já possui. Apenas nos últimos dois anos, estima-se que o Conecta.GOV permitiu uma economia de R$ 9,5 bilhões, parte para os governos, parte para as pessoas.

A ministra alertou ainda que a ausência de interoperabilidade tende a gerar fragmentação, custos duplicados e a transferência de uma burocracia invisível para cidadãos e empresas. “Quando os sistemas não se conectam, criamos ilhas digitais. Isso aumenta riscos, duplica custos e empurra a burocracia para o cidadão e para os negócios”, concluiu.

A ministra também pontuou a necessidade de que a interoperabilidade ultrapasse fronteiras. “ Precisamos de interoperabilidade transfronteiriça, que é onde a confiança é mais testada. Se a confiança não puder atravessar fronteiras, continuaremos construindo ilhas digitais, só que em nível global,”, disse ela.

Como presidente do grupo de dez países que compõem o GDC, Esther Dweck propôs aos demais participantes (países, empresas, organismos internacionais e entidades), uma agenda de debates sobre componentes mínimos de interoperabilidade , como transforma r princípios em resultados e como estrutura r parcerias para dar escala e sustentabilidade a uma agenda de transformação digital com foco nas pessoas.

Transformação digital com foco nas pessoas

Em sua participação no painel “Fronteiras da Governança Digital: da Infraestrutura Pública Digital à GovTech de Próxima Geração”, realizado pela manhã, Esther Dweck destacou que o avanço tecnológico precisa estar acompanhado de uma mudança estrutural na forma como o Estado se organiza para atender a população. “Durante a pandemia, houve uma transformação digital muito rápida, mas ela não foi necessariamente centrada nas pessoas. Quando iniciamos nosso trabalho, em 2023, colocamos como prioridade simplificar, reduzir entraves burocráticos e ampliar a inclusão”, afirmou.

Um dos pilares apresentados pela ministra foi a construção da Estratégia Nacional de Governo Digital, coordenada pelo MGI desde 2023. A iniciativa busca alinhar União, estados e municípios em uma mesma direção, respeitando o pacto federativo. “Criamos uma estratégia nacional para os três níveis de governo, construída com amplo processo de consulta. Isso é fundamental em um país com 27 estados e mais de 5 mil municípios, para que todos caminhem na mesma direção”, detalhou.

Inclusão digital e enfrentamento das desigualdades

A ministra Esther Dweck destacou que a desigualdade estrutural brasileira impõe desafios específicos à agenda de governo digital. Embora o uso de dispositivos móveis esteja amplamente difundido, Dweck apontou que o letramento digital ainda é necessário para o exercício pleno da cidadania digital. “ As pessoas têm celulares, mas ainda enfrentam dificuldades de letramento digital. Por isso, esse tema está no centro das nossas discussões” , justificou.

Ela contextualizou que o MGI vem estruturando espaços físicos de apoio à cidadania digital, como o Balcão GOV.br, que oferecem atendimento presencial, acesso gratuito à internet e capacitação em habilidades digitais. “Criamos locais presenciai s ond e as pessoas podem ir para aprender a usar os serviços digitais do governo, acessar a internet gratuitamente e desenvolver habilidades digitais ”. A ministra também destacou ações voltadas a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como maneiras específicas de letramento que respeita a diversidade brasileira. “Temos investido na capacitação de lideranças indígenas para adaptar os sistemas às suas realidades, inclusive linguísticas”, disse.

Infraestrutura pública digital e CIN

Durante o painel, Esther Dweck apresentou a Infraestrutura Pública Digital como base estruturante da transformação digital brasileira, com destaque para a plataforma GOV. BR e a Carteira de I dentidade N acional. “Hoje, a plataforma GOV.BR reúne cerca de 5 mil serviços federais e mais de 12 mil serviços estaduais. E c om a identidade digital, os cidadãos têm acesso integrado e simplificado a esses serviços”, mostrou. Atualmente, mais de 43 milhões de brasileiros já possuem a CIN. Uma das vantagens da nova carteira é a simplificação do acesso das pessoas aos serviços públicos e benefícios sociais.

Ao sintetizar a abordagem brasileira, a ministra destacou três atuaç ões que fundamentam a transformação digital conduzida pelo MGI : “estamos focados em três pilares: conectividade, para promover inclusão; uma estratégia nacional, para alinhar municípios, estados e governo federal; e o fortalecimento do letramento digital, especialmente para pessoas idosas, populações vulneráveis e povos indígenas.”

A ministra também abordou o uso estratégico de dados e inteligência artificial para avançar em serviços públicos mais personalizados, proativos e acessíveis, sempre com foco na confiança da população. “Buscamos oferecer serviços cada vez mais simples, com o uso intensivo de dados e inteligência artificial para personalização e entrega proativa. Não é exatamente um governo ‘sem cliques’, mas queremos reduzir ao máximo os obstáculos”, reforçou.

Caixa postal GOV.BR

A ministra destacou ainda a ampliação da comunicação direta entre Estado e pessoas , por meio d os canais oficiais. “Temos 107 milhões de pessoas com conta ativa na plataforma. Criamos uma caixa postal digital para enviar mensagens personalizadas e também utilizamos redes como o WhatsApp para informar direitos, serviços e prazos.”

O uso de chatbots baseados em inteligência artificial também foi apontado como ferramenta de aproximação entre governo e população. “Utilizamos inteligência artificial para criar chatbots que permitem que as pessoas interajam com o governo e aprendam, na prática, como usar os serviços públicos digitais. É uma forma de promover letramento digital ao mesmo tempo em que ampliamos o acesso”, defendeu. Recentemente, contou, o governo usou o serviço de caixa postal para se comunicar com os estudantes aptos a fazer o Enem.

Ao concluir sua participação, a ministra apontou que a construção do Estado digital só é possível se fortalecer a confiança pública. “Todas essas ações contribuem para aumentar a confiança no governo. Ainda há desafios, mas seguimos trabalhando para avançar cada vez mais”, concluiu.

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, participa, entre os dias 20 e 22 de janeiro, da programação do Fórum Econômico Mundial, em Davos, com uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da governança digital global.

Assuntos Governo
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