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Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE

2 de março de 2026
Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE
Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE
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A cultura brasileira emprega hoje cerca de 5,9 milhões de pessoas e contribui com R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia, o equivalente a algo próximo de 3% do PIB. Os dados foram apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira (27), durante a 5ª edição dos Diálogos SNIIC. O encontro marcou, em 2026, a retomada do ciclo de debates promovido pelo Ministério da Cultura (MinC).

Tópicos da matéria
Empresas formais Trabalho, renda e informalidade Preços, consumo e acesso digital Patrimônio, turismo e sustentabilidade O que é o SIIC

A atividade apresentou resultados do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2013–2024 [LINK DA PESQUISA], produzido pelo IBGE, reunindo evidências sobre emprego, empresas, renda, acesso e consumo cultural. A apresentação foi conduzida pelo pesquisador Leonardo Athias, coordenador do SIIC. O debate contou ainda com comentários da secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão; do diretor de Políticas para Trabalhadores da Cultura e da Economia Criativa, Deryk Vieira Santana; da coordenadora-geral de Avaliação de Políticas Públicas (SGE/MinC), Giuliana Kauark; e da chefe do Serviço de Sustentabilidade Econômica do Patrimônio (Iphan), Martina Ahlert.

Na abertura, a subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, destacou que a proposta do ciclo é aproximar pesquisa e gestão, transformando informação em decisões mais qualificadas.“O objetivo é reunir um conjunto de dados que suscite o debate. Nosso principal objetivo é dialogar para entender como essas informações podem aprimorar nossas políticas, nossa atuação cotidiana e a qualidade das entregas. Queremos saber de que forma esses dados iluminam possíveis ajustes no rumo das políticas públicas”, afirmou.

Empresas formais

No primeiro bloco, Leonardo Athias apresentou o retrato do setor formal a partir do Cadastro Central de Empresas (Cempre/IBGE). Em 2022, o Brasil contabilizava 644,1 mil organizações culturais formalmente constituídas, que empregavam 2,6 milhões de pessoas, das quais 1,7 milhão eram assalariadas. A massa salarial do setor alcançou R$ 102,8 bilhões, com remuneração média mensal de R$ 4.658, valor superior à média nacional.

Segundo o pesquisador, o recorte adotado pelo SIIC não se limita às artes em sentido estrito.“Se o SIIC fosse criado hoje, provavelmente já nasceria incorporando explicitamente o conceito de economia criativa. O recorte vai além da visão restrita de cultura e inclui atividades diretas e indiretas, como fabricação de mídias, equipamentos audiovisuais e serviços associados.”

Com essa delimitação, a cultura representa 6,8% do total de empresas do país e 4,2% do pessoal ocupado formalmente, evidenciando a capilaridade do setor na economia brasileira.

A apresentação também trouxe dados das pesquisas estruturais do IBGE, que realizam coleta direta junto às empresas e permitem estimar receita e valor adicionado. Em 2023, as atividades culturais somaram R$ 910,6 bilhões em receita líquida e R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia nacional, uma ordem de grandeza próxima de 3% do PIB, em estimativa aproximada.

Leonardo Athias destacou ainda mudanças estruturais na composição do setor ao longo da última década.“Há uma mudança estrutural. Ganham espaço atividades ligadas à internet, software e publicidade”.

Ao comentar os resultados, a secretária Cláudia Leitão ressaltou que a consolidação do SNIIC exige compromisso institucional e rigor conceitual. “Não é possível formular políticas públicas sem informações confiáveis que sustentem a tomada de decisão. Quanto mais dados, metodologias e indicadores conseguirmos desenvolver, melhor para todos”, disse.

Ela também alertou para o risco de naturalizar a dificuldade de mensuração da cultura.

“Há uma percepção recorrente de que o campo cultural é difícil de mensurar. Esse argumento se repete há décadas e pode virar conformismo. Não podemos nos conformar com isso”, enfatizou.

Trabalho, renda e informalidade

No segundo bloco, os dados da Pnad Contínua mostraram estabilidade na participação do setor cultural no mercado de trabalho ao longo da série histórica. Em 2024, a cultura reunia cerca de 5,9 milhões de pessoas ocupadas, o equivalente a 5,8% do total de trabalhadores do país. O ponto mais baixo ocorreu em 2021, durante a pandemia, quando a participação recuou para 5,5%, com recuperação nos anos seguintes.

Leonardo Athias destacou o contraste entre qualificação e informalidade. Em 2024, um total de 30,1% dos ocupados no setor tinham ensino superior completo, percentual superior ao observado no conjunto da economia (23,4%). Ainda assim, 44,6% estavam em ocupações informais e 43% trabalhavam por conta própria. “O setor cultural apresenta maior escolaridade e, ainda assim, maior informalidade. Esse é um contraste importante”.

As desigualdades regionais também são expressivas. Em 2024, as maiores participações do setor no total de ocupados foram registradas em São Paulo (7,6%), Rio de Janeiro (7,0%) e Ceará (7,0%). Na outra ponta, Acre (2,7%), Amapá (2,8%) e Rondônia (2,0%) apresentaram os menores índices. Entre as capitais, destacaram-se Florianópolis (10,7%), São Paulo (10,1%) e Manaus (9,4%).

Nos comentários, Deryk Vieira Santana enfatizou a fragilidade da proteção social no setor. “Dos cerca de 5,8 milhões de trabalhadores do setor, quase 2 milhões estão na informalidade, e a maioria desses trabalhadores informais é composta por microempreendedores individuais. Isso revela um sistema de proteção social extremamente frágil.”

Ele também apontou um padrão recorrente:“há uma feminização da precariedade. Em geral, ocupações com maior presença feminina apresentam maior informalidade”. Segundo o diretor, o desenho das políticas públicas precisa considerar esse cenário. E complementou: “grande parte dos recursos transferidos e executados acaba fomentando o trabalho informal. A pergunta central é como estruturar políticas públicas que contribuam para a formalização, e não para a ampliação da informalidade”, refletiu.

Preços, consumo e acesso digital

No terceiro bloco, Leonardo Athias apresentou o Índice de Preços da Cultura (IPECult), construído a partir de itens do IPCA relacionados ao consumo cultural. Entre 2020 e 2024, enquanto o índice geral de preços acumulou alta próxima de 6%, o IPECult registrou variação aproximada de 3%. “O índice funciona como uma medida indireta de acesso: variações menores de preço sugerem menor barreira econômica ao consumo cultural”, explicou.

A apresentação também trouxe dados sobre acesso digital. Cerca de 90% da população com 10 anos ou mais declarou ter utilizado a internet nos três meses anteriores à pesquisa, tendo o celular como principal dispositivo de conexão. Entre as atividades culturais online mais frequentes estão assistir a vídeos (88,5%), ouvir música ou podcasts (83,5%) e ler notícias ou livros digitais (68,8%). Os jogos eletrônicos aparecem com 30,3%, com maior concentração entre os mais jovens.

Como comentarista, Giuliana Kauark destacou a necessidade de leitura cuidadosa do indicador. “Chamou atenção o fato de a variação registrada ser relativamente baixa. Como o grupo com maior peso na cesta é o de serviços de internet e comunicação, é importante investigar em que medida isso influencia o resultado”. Ela também sugeriu analisar possíveis mudanças no padrão de consumo após a pandemia.

Patrimônio, turismo e sustentabilidade

No bloco final, o pesquisador abordou dados de turismo associados à cultura e à natureza. Em 2024, foram registradas cerca de 1,7 milhão de viagens motivadas principalmente por cultura e gastronomia e aproximadamente 1,5 milhão com foco em natureza, ecoturismo e aventura. “É um campo promissor, mas ainda carente de dados sistemáticos e integrados”.

A comentarista Martina Ahlert ressaltou que o patrimônio aparece de forma transversal nas estatísticas.“O patrimônio natural ou histórico-cultural está fortemente associado a parques e sítios arqueológicos. Já o patrimônio imaterial aparece de forma transversal, o que é relevante, mas dificulta a análise específica”, disse.

Martina também apresentou uma iniciativa em desenvolvimento para preencher parte dessa lacuna. Segundo ela, o Iphan vem estruturando, com o Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC), uma pesquisa sobre sustentabilidade econômica do patrimônio. “A pesquisa selecionou doze bens reconhecidos como patrimônio mundial, materiais e imateriais, e já realizou campo em seis deles, como o Centro Histórico de Salvador, o Bumba-meu-boi do Maranhão e o Círio de Nazaré. O trabalho busca captar não só os detentores diretos, mas todo o ecossistema associado”, explicou.

O que é o SIIC

O Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), do IBGE, reúne dados sobre o setor cultural brasileiro a partir de diferentes pesquisas e bases administrativas. Produzido desde o início dos anos 2000 em parceria com o Ministério da Cultura, o sistema organiza informações sobre empresas, trabalho, renda, acesso e consumo cultural, subsidiando políticas públicas e decisões estratégicas.

Sobre os Diálogos SNIIC – Os Diálogos SNIIC são encontros mensais dedicados à apresentação e ao debate de pesquisas sobre o setor cultural. O objetivo é fortalecer o uso de dados na formulação e no acompanhamento das políticas culturais, ampliando a capacidade de planejamento e gestão do Ministério da Cultura.

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