Ministro da Fazenda destacou números, investimentos do Brasil em áreas estratégicas e exemplos anteriores para avaliar possíveis impactos internos na economia em função dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã
A equipe econômica do Governo Federal avalia com cautela possíveis impactos dos conflitos no Oriente Médio na economia brasileira. Foi o que afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta terça-feira (3/3) durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC),
O Brasil é grande e autônomo o suficiente para se preparar. O Brasil não depende de petróleo. O Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras no segundo governo Lula. Então, nós temos reservas cambiais, não temos dívida externa, é importante que não devemos em moeda forte, nós somos credores líquidos internacionais, nós temos energia limpa”
“O Brasil tem condições que precisam ser também analisadas do ponto de vista da sua autonomia, que é grande nesse momento. Mas enfim, sempre a humildade é recomendável em qualquer situação. Você sempre tem que olhar com humildade e não sobrevalorizar as suas forças, mas nem desconsiderá-las. Você considera o que você tem e se planeja para qualquer cenário. Mas é muito preocupante o que está acontecendo no mundo”, disse o ministro
Como reflexo dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã afirmou que fechou o estreito de Ormuz para passagens de navios e que as embarcações que tentarem passar pelo local serão incendiadas. O local é uma rota fundamental para o transporte mundial de petróleo.
No entanto, Haddad citou exemplos anteriores, como ações do governo após o anúncio do tarifaço a produtos brasileiros por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e as medidas em eventos climáticos extremos, como as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, e as chuvas em Minas Gerais no início deste ano, para ressaltar a autonomia do Brasil em diferentes cenários.
“Quando aconteceu o tarifaço do Trump, quando acontece um evento climático severo, a equipe econômica sempre procura montar cenários e se preparar para qualquer um deles. É assim que funciona quando você não tem o controle de uma situação que é externa ao país e que não depende da posição do Brasil. Nós vamos fazer o que a gente sempre fez desde o começo, olhar o cenário, e o cenário pode ser qualquer coisa”.
Infelizmente no Brasil a gente reagiu muito mal à pandemia, mas pode ter evento climático, pode ter guerra, pode ter o que for, mudança de preços importantes, e o Brasil tem que se preparar”, disse
Presidente Lula
Durante a entrevista, Haddad ressaltou o papel do Brasil e do presidente Lula no cenário internacional na busca pela paz.
Você vê que a situação global não é confortável, e o presidente Lula tem um papel muito importante nesse momento de recrudescimento das tensões, porque ele é uma voz respeitada por todos os lados, ele é uma voz que clama pela paz, mas com responsabilidade e com maturidade”
“É uma pessoa que sabe dos interesses que estão em jogo, que sabe que esses interesses muitas vezes são antagônicos, e é como um negociador, uma pessoa que sempre tenta construir caminhos em busca de uma estabilidade maior, de relações geopolíticas mais estáveis, porque independentemente da vantagem ou desvantagem que você vai ter num cenário de guerra, não é isso que deve presidir a ação de um presidente da República de um país com a importância do Brasil. O Brasil é uma voz ouvida no mundo, tem feito sob a liderança do presidente Lula um apelo para a reforma dos organismos internacionais, em especial o Conselho de Segurança da ONU. O presidente Lula acredita nisso há muito tempo. Sabe que as organizações saídas da Segunda Guerra Mundial já não estão dando conta dos desafios contemporâneos, e eu acredito que o presidente Lula é muito importante nesse momento para o Brasil e para o mundo. É nesse contexto de ascensão do extremismo no mundo, mesmo a radicalização aqui no Brasil, é um discurso muito atrasado, muito de ódio, de antagonismo, eu acredito que nós temos que pensar nesse contexto para nos organizarmos da melhor maneira possível”, afirmou o ministro da Fazenda.
*Texto em atualização
