Projeto vai integrar transmissão e internet e ampliar serviços digitais à população
O Brasil deu um passo estratégico para a implantação da TV 3.0, a nova geração da televisão aberta, ao avançar nas tratativas de financiamento internacional com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial. O projeto, liderado pelo Ministério das Comunicações, pode contar com até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) para viabilizar a transição tecnológica em todo o país.
A estruturação das linhas de crédito está sendo debatida em um workshop realizado nesta segunda (2/2) e terça-feira (3), em Brasília (DF), com especialistas das duas instituições financeiras e equipes técnicas do governo brasileiro. O encontro trata de aspectos jurídicos, técnicos, ambientais, sociais e estruturantes necessários para a liberação dos recursos.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou o alcance social do projeto. “É muito importante e uma satisfação receber aqui especialistas tão experientes para debater esse financiamento, que vai contribuir diretamente para a inclusão digital e social de milhares de brasileiros e brasileiras”, afirmou.
No fim do ano passado, a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) aprovou o pleito do ministério para a captação dos recursos. O processo agora está na Casa Civil, responsável pelo envio da Mensagem Presidencial ao Senado Federal, que autoriza a contratação do crédito.
Para os organismos internacionais, o projeto brasileiro está em estágio avançado e tem potencial para se tornar modelo.
A líder do BID no Brasil, Annette Killmer, ressaltou o impacto social da iniciativa. “É um projeto que usa a tecnologia para promover inclusão social e digital, além de levar serviços públicos, educação e prestação de serviços a uma parcela muito grande da população. É um enorme orgulho participar disso. Esperamos agilizar os processos e trabalhar juntos para superar os desafios”, declarou
Já a diretora do Banco Mundial para o Brasil, Cécile Fruman, afirmou que o país pode assumir protagonismo global no tema.
“Fiquei impressionada com o avanço do Brasil na TV 3.0. O país está numa fase muito adiantada, inclusive em comparação com países da Europa. O Brasil pode se tornar líder na América Latina, compartilhando suas experiências. Estamos comprometidos em tornar os processos os mais ágeis possíveis”, disse.
O presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), André Basbaum, destacou a importância institucional do apoio internacional. “Ter o Banco Mundial e o BID nesse processo traz credibilidade, confiança, segurança e celeridade. A radiodifusão sempre foi base da nossa indústria cultural e da formação do país, e agora entra em uma nova fase”, finalizou.
O evento está sendo conduzido pelo secretário de Radiodifusão (Serad) do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch, e pelo diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização, Tawfic Awwad Junior. Pela Anatel, Octavio Penna Pieranti também participou das discussões.
Uma Nova Era
Considerada a maior evolução da televisão aberta desde a digitalização, a TV 3.0 vai unir radiodifusão e internet em um ambiente totalmente baseado em aplicativos, substituindo a lógica tradicional de canais numéricos. A implantação será gradual, começando pelas grandes capitais.
Entre as principais inovações estão: Conteúdo ao vivo e sob demanda, de forma integrada; experiência interativa e personalizada; acesso a serviços públicos digitais pela TV; imagem em 4K e 8K, HDR e cores mais vivas; som imersivo e recursos avançados de acessibilidade.
Com a nova tecnologia, a TV deixa de ser apenas um meio de entretenimento e passa a funcionar também como porta de entrada para serviços digitais, ampliando o acesso da população a informações, educação e políticas públicas.
