Presidente ressalta prioridades da política externa brasileira, pleiteia participação palestina em conselho de paz proposto pelos EUA, reforça potencial de integração dos países latino-americanos e defende o foco em uma transição democrática na Venezuela
Em entrevista concedida nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, ao Portal UOL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a pluralidade dos interesses da política externa nacional, ressaltou a importância do diálogo para maior integração entre países da América Latina, expressou a defesa da paz como ponto fundamental da agenda internacional brasileira e previu uma visita aos Estados Unidos no início de março, para o que definiu como uma conversa direta e responsável com o presidente Donald Trump.
Nós temos que sentar em uma mesa, olhar um no olho do outro, ver quais são os problemas que afligem ele, quais são os que me afligem, o que interessa aos Estados Unidos, o que interessa para o Brasil. Vamos trabalhar juntos. E vamos estabelecer acordos em que a gente possa trabalhar juntos”, disse Lula.
O presidente ressaltou que não há temas proibidos na relação entre Brasil e Estados Unidos, desde que a soberania nacional seja respeitada. “A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”, completou. Antes da viagem aos EUA, o presidente tem na agenda compromissos agendados na Índia e na Coreia, ainda em fevereiro, para estreitar laços bilaterais e ampliar oportunidades empresariais.
CONSELHO DA PAZ — Sobre os conflitos no Oriente Médio, Lula afirmou que o Brasil tem interesse em participar de iniciativas voltadas à promoção da paz, desde que sejam inclusivas e representativas. “Eu disse ao presidente Trump que se o Conselho [da Paz, lançado por Donald Trump] for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse de participar. Falei, inclusive, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que o Brasil tem interesse, mas é preciso que os palestinos estejam na mesa, senão, não é uma comissão de paz”, declarou Lula.
AMÉRICA LATINA — Ao abordar a situação da América Latina, Lula defendeu maior autonomia política e integração regional. “Ou nós, latino-americanos, criamos coragem e criamos instituições fortes e montamos um bloco para trabalharmos conjuntamente com o resto do mundo, ou estamos fadados a mais um século de pobreza e de esquecimento”.
VENEZUELA — Sobre a Venezuela, o presidente afirmou que o debate não deve estar centrado em disputas políticas ou pessoais, mas na capacidade de o país fortalecer a democracia e melhorar a vida da população. “A preocupação principal é a seguinte: há possibilidade de a gente fortalecer o povo da Venezuela? Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente? Porque o que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não”.
Lula ressaltou, por fim, a importância da manutenção da América do Sul como uma região de paz. “A gente não tem bomba atômica, a gente não tem armas nucleares. Ou seja, o que a gente quer é crescer economicamente, fortalecer o processo democrático e melhorar a vida de milhões de latino-americanos, porque a América Latina não pode continuar sendo um continente, uma parte do mundo pobre.”
