Tribunal Federal da Flórida admite intervenção do Estado brasileiro no processo, aberto nos Estados Unidos pelas corporações de mídia Rumble e Trump Media, e suspende declaração de revelia contra ministro do STF
O Brasil obteve nesta terça-feira (23) importante vitória no processo movido nos Estados Unidos pelas empresas Rumble e Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Tribunal Federal da Flórida admitiu a intervenção da República Federativa do Brasil no processo e suspendeu a decretação de revelia contra Moraes.
A decisão atende a pedidos apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Procuradoria Nacional da União de Assuntos Internacionais (PNAI), sustentando que o Brasil é a real parte interessada no feito, já que a demanda versa sobre decisão proferida pelo STF no exercício regular de suas competências constitucionais.
O Brasil também pediu que o tribunal não aprecie qualquer pedido de declaração de revelia antes da discussão dos argumentos apresentados pelo Estado brasileiro, que a AGU acredita serem determinantes para levar ao encerramento da ação ou à sua limitação.
A juíza Mary Scriven acolheu integralmente o pedido de intervenção, reconhecendo o Brasil como real interessado na causa, e determinou a suspensão de qualquer decretação de revelia até a resolução do pedido de extinção do processo, já apresentado pelo Brasil. O pedido será analisado após a resposta a ser apresentada pelas empresas autoras até o dia 7 de julho.
Leia também:
• Lula critica plataformas digitais e diz que ‘liberdade é a primeira vítima de um mundo sem regras’
• Lula assina medidas para ampliar proteção às mulheres e reforçar segurança digital no Brasil
• ‘Se no real é crime, no digital tem que ser crime’, diz Lula ao defender regulação das redes
Entenda o caso
A ação foi proposta pelas empresas norte-americanas Trump Media & Technology Group Corp. e Rumble, Inc. em abril de 2025, com o objetivo de impugnar a execução, nos Estados Unidos, de decisões judiciais proferidas por Alexandre de Moraes no exercício de suas atribuições como ministro do STF.
Saiba mais sobre o início do processo
Em defesa dos interesses do Estado Brasileiro, a AGU sustenta que decisões judiciais proferidas pela Suprema Corte do Brasil não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros. De acordo com a AGU, a submissão de atos jurisdicionais soberanos à apreciação de cortes de outros países implica grave ofensa à imunidade de jurisdição, princípio consagrado no Direito Internacional e na legislação federal dos Estados Unidos, e pode representar uma ofensa à soberania nacional e à independência do Poder Judiciário brasileiro.
O Estado brasileiro está sendo representado no caso pelo escritório norte-americano Foley Hoag LLP, que mantém contrato com a Advocacia-Geral da União, desde 2019, para a atuação em processos judiciais nos Estados Unidos.
Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU
