Aldeias do território Guarita tornam-se o segundo território no Brasil e no mundo a utilizar a tecnologia dos mosquitos estéreis por irradiação
As aldeias Km10 e Linha Esperança, localizadas no território indígena Guarita, em Tenente Portela, no estado do Rio Grande do Sul, iniciaram uma nova etapa no controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, Zika e chikungunya. A região passou a utilizar a Técnica do Inseto Estéril por irradiação (TIE por irradiação), estratégia inovadora que substitui o uso de inseticidas por uma abordagem biológica e ambientalmente segura.
Financiada pelo Ministério da Saúde (MS), a iniciativa integra as ações de vigilância e controle de arboviroses em áreas onde o uso de produtos químicos é restrito, como territórios indígenas e reservas ecológicas. A tecnologia consiste na liberação controlada de mosquitos machos estéreis de Aedes aegypti que, ao se acasalarem com fêmeas da espécie, impedem a geração de novos descendentes, contribuindo para a redução da população do vetor.
A implementação no território Guarita ocorre como complemento a um trabalho já consolidado de vigilância e prevenção das arboviroses. Há cerca de um ano, as aldeias participam de um processo contínuo de monitoramento do mosquito por meio de ovitrampas, além de atividades de educação em saúde e mobilização comunitária para eliminação de criadouros.
A ação é resultado de cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e da Secretaria de Saúde Indígena ; a Fundação Oswaldo Cruz, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, a Secretaria Municipal de Saúde de Tenente Portela e a Moscamed Brasil.
Antes da experiência no território Guarita, a tecnologia já havia sido implementada na aldeia Cimbres, no município de Pesqueira, em Pernambuco, onde as solturas semanais de mosquitos estéreis seguem associadas a ações permanentes de prevenção e monitoramento.
Com a chegada da estratégia às aldeias Km10 e Linha Esperança, o Brasil avança na incorporação de soluções baseadas em ciência e inovação para o enfrentamento das arboviroses, especialmente em territórios com maior vulnerabilidade socioambiental. A iniciativa busca consolidar um modelo de controle vetorial sustentável e replicável em outras comunidades indígenas e áreas ambientalmente sensíveis do país.
As atividades iniciais ocorreram entre os dias 9 e 11 de março, período em que foram realizadas ações de engajamento comunitário e a primeira soltura de mosquitos estéreis nas aldeias. A partir de agora, as liberações ocorrerão semanalmente, acompanhadas por monitoramento entomológico, controle mecânico de criadouros e ações contínuas de mobilização da comunidade.
