Em painel com o economista-chefe da FAO, Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. defendeu que agência da ONU assuma o protagonismo na democratização do acesso à terra
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, defendeu nesta quarta-feira (25) que a reforma agrária deve ser o pilar central das estratégias globais de combate à fome e à desigualdade social. A declaração ocorreu durante a plenária “ICARRD 20 anos depois”, parte da agenda oficial da 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, em Cartagena.
Em um discurso de forte teor político e econômico, Teixeira conectou as desigualdades atuais ao passado colonial da América do Sul. “Nossos países foram colonizados por potências europeias que capturaram a terra e as riquezas naturais. O que restou foi uma enorme desigualdade social, agora agravada por um modelo neoliberal que concentra renda e aposta em uma economia extrativista que segrega e expulsa os povos de seus territórios”, pontuou o ministro.
Cobrança à FAO
Dividindo o palco com Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Paulo Teixeira fez uma convocação direta à agência internacional. O ministro cobrou que a FAO “abrace a bandeira da reforma agrária” como prioridade máxima em sua agenda global.
“O Brasil estará com a FAO na próxima semana e vamos colocar essa pauta formalmente na agenda. É preciso que a agência mais importante do mundo para o setor assuma esse compromisso de frente”, afirmou Teixeira, sinalizando que o governo brasileiro pretende liderar esse movimento diplomático.
Liderança Global e Continuidade
Demonstrando articulação com o Sul Global, o ministro encerrou sua participação sugerindo que as próximas edições da conferência ocorram a cada dois anos, preferencialmente sediadas pelo México ou pela África do Sul. A proposta visa manter o tema da democratização da terra em evidência contínua no cenário internacional, consolidando um bloco de países comprometidos com o desenvolvimento rural sustentável.
A agenda do ministro em Cartagena segue até o final da semana, com reuniões bilaterais e visitas técnicas para troca de experiências em políticas de crédito fundiário e sucessão rural.
