No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) reafirma seu compromisso com a equidade e a inovação. Com indicadores que apontam para uma transformação no perfil científico do Instituto, a celebração destaca o papel fundamental das pesquisadoras na construção de um futuro mais preciso e diverso.
O trabalho das pesquisadoras sustenta a infraestrutura da qualidade do país: da massa e do comprimento, que garantem a equidade no comércio, à exatidão das grandezas elétricas, térmicas e químicas que movem a indústria. Na metrologia química e biológica, o Inmetro contribui para a segurança dos alimentos exportados e a precisão dos diagnósticos de saúde, fornecendo a base técnica para regulamentações e segurança jurídica ao país.
O papel da Diretoria de Metrologia Científica e Tecnologia na valorização das mulheres

É nesse contexto que se destaca a Diretoria de Metrologia Científica, Industrial e Tecnologia (Dimci), braço científico e tecnológico do Inmetro e responsável por exercer o papel de Instituto Nacional de Metrologia do Brasil. A presença crescente de mulheres na Dimci reflete uma mudança estrutural no fazer científico do Instituto, com pesquisadoras atuando diretamente na geração, manutenção e disseminação dos padrões nacionais de medida.
No quadro de servidoras permanentes da Dimci, a participação feminina corresponde a 25%. Entre as bolsistas, esse percentual é ainda mais expressivo: as mulheres representam 60% do total, evidenciando uma tendência de renovação e maior equilíbrio de gênero nas novas gerações que ingressam na metrologia científica.
Considerando o conjunto da força de trabalho de apoio administrativo da diretoria, as mulheres correspondem a 43% do total de colaboradores (153 de 360), refletindo avanços consistentes rumo a um ambiente cada vez mais diverso e representativo.
Esse movimento também se expressa nos espaços de gestão. Atualmente, 36% das áreas técnicas da Dimci (4 das 11 divisões) são lideradas por mulheres com trajetórias consolidadas na metrologia científica e na inovação, contribuindo de forma decisiva para o fortalecimento institucional.
Excelência Premiada e Incentivo à Base

A competência feminina na Dimci atravessa fronteiras. Exemplo disso é a pesquisadora Joyce Araújo, premiada na iniciativa “25 Mulheres na Ciência”, um reconhecimento ao impacto de suas pesquisas para a sociedade.
Além do brilho individual, o Inmetro investe em projetos coletivos como o TriboGirls. Apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a iniciativa de pesquisa em tribologia visa estimular a entrada de meninas em carreiras STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), promovendo também o debate sobre questões étnico-raciais na ciência.

Para a diretora da Dimci, Danielle Assafin, a representatividade feminina no setor é vital para o desenvolvimento do país. “Temos hoje uma excelente representatividade na Dimci, com mulheres liderando áreas estratégicas e uma base de bolsistas que nos enche de orgulho. No entanto, o trabalho não termina aqui; sabemos que ainda há muito o que fazer para que as meninas de hoje se vejam plenamente representadas nos mais altos escalões da ciência amanhã”, ressaltou Danielle.
Compromisso Global
O esforço do Inmetro ecoa um movimento global liderado pelo Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), que tem intensificado ações em prol da equidade de gênero através de parcerias estratégicas, como o Memorando de Entendimento com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Bureau busca ampliar a participação feminina nas ciências básicas e incentiva que os Estados-Membros indiquem mais especialistas mulheres para os seus Comitês Consultivos. Assim, o Brasil caminha lado a lado com as diretrizes internacionais para garantir que a metrologia do futuro — mais digital e integrada — seja construída por mãos e mentes diversas.
