Em entrevista à Voz do Brasil desta terça (3), Lucas Felipe de Oliveira detalhou o trabalho da empresa para a produção sustentável de alimentos e a segurança alimentar, econômica e ambiental do Brasil
Os projetos de irrigação mantidos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) produzem R$ 8,1 bilhões ao ano. São 39 empreendimentos localizados nos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas que são responsáveis por 356 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. A área cultivada desses projetos soma 125 mil hectares, o equivalente a 175 mil campos de futebol.
Em entrevista ao programa A Voz do Brasil desta terça-feira (3/2), o diretor-presidente da empresa, Lucas Felipe de Oliveira, explicou que o trabalho da Codevasf consiste em implantar os empreendimentos para que os produtores atuem de forma autônoma, garantindo produção sustentável de alimentos e contribuindo para a segurança alimentar, econômica e ambiental do Brasil.
“O que a gente observa é, que com a chegada da água, porque a gente está falando de semiárido, sua maioria, com a chegada da água a gente traz o desenvolvimento. Então, a gente chega com a água e infraestrutura hídrica, a gente tem o processo de produção ali, a geração de emprego e renda da própria produção da agricultura, mas a gente entende que tem a atração de novas indústrias ali, indústria de embalagem, a gente tem indústria da educação, porque você passa a ter necessidade de mão de obra qualificada e o empresário se sente atraído por onde tem dinheiro rodando, onde há distribuição de renda”, explicou Oliveira.
A agricultura, nas culturas onde a gente tem na Codevasf, que é hortifruti, ela gera muito emprego e isso a gente acaba distribuindo a renda com geração de emprego, de fato”, completou.
O diretor-presidente explicou ainda que o trabalho da empresa com agricultura arrigada passa por uma análise da região que receberá a implantação do empreendimento, garantindo o aproveitamento das oportunidades de cada estado ou município brasileiro. “Então, a Codevasf chega na comunidade e vê a vocação dessa comunidade, não só com produção agrícola, mas com outros arranjos, como apicultura, como a cadeia do açaí, que agora a gente, presente no Norte, teve que estudar e aprender. Tem piscicultura, carcinicultura, enfim, uma infinidade de projetos”, destacou.
Leia a entrevista completa:
Presidente, a gente queria abrir essa entrevista explicando para o nosso ouvinte um pouco mais sobre o papel da Codevasf, qual é o principal objetivo da companhia?
A companhia é uma empresa pública, é um braço executivo do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, tem mais de 50 anos, iniciou ali seus trabalhos no Vale do Rio São Francisco e hoje a gente expandiu, a gente está presente em mais de 15 estados, mais o DF, ao longo das suas 16 superintendências, a gente funciona como um catalisador do desenvolvimento regional, desenvolvimento integrado, sustentável e de diminuição das desigualdades sociais.
Um dos projetos que tem na Codevasf são voltados à irrigação, o senhor pode dar um balanço de como estão esses investimentos hoje para esses projetos, quem são os beneficiados?
Eu diria, Luciana, que a gente depois de alguns anos, a gente voltou a ter um olhar especial para o perímetro de irrigação, que foi como a gente começou a nossa história. A gente tem 39 perímetros de irrigação, como vocês mencionaram aí, números expressivos de valor bruto de produção, de geração de emprego e nos últimos anos a gente entendeu que tem um modelo de parceria público-privado com investimento do privado para a gente dobrar nossa capacidade, nossa área irrigada, que hoje são 125 mil hectares, a gente dobrar isso nos próximos anos.
Então, a gente tem duas concessões que já foram leiloadas nos últimos anos, uma na Bahia, uma em Minas e a gente pretende dobrar, com outros projetos que a gente está em estudo, essa capacidade de área irrigada.
Quais são as áreas para onde a Codevasf está levando novos projetos?
A gente tem uma área que é o Baixio de Irecê, na Bahia, tem o Jequitaí, em Minas Gerais e tem outros projetos na Bahia, Pernambuco e Minas em estudo. Fora outros projetos que chegam através de outras empresas ou através de secretarias dos estados, então a gente está sempre em movimento estudando as possibilidades para aumentar nossa área irrigada ao longo dos estados onde a gente atua.
Presidente, a gente falou de projetos que já existem, que geram muitos empregos, a gente está falando de projetos que vão ser novos, de que modo esse apoio na irrigação fortalece a produção onde estão essas áreas e geram mais empregos também, a expectativa é que gerem ainda mais empregos nessas regiões?
O que a gente observa, Luciana, é que com a chegada da água, porque a gente está falando de semiárido aí, sua maioria, com a chegada da água a gente traz o desenvolvimento. Então, a gente chega com a água e infraestrutura hídrica, a gente tem o processo de produção ali, a geração de emprego e renda da própria produção da agricultura, mas a gente entende que tem a atração de novas indústrias ali, indústria de embalagem, a gente tem indústria da educação, porque você passa a ter necessidade de mão de obra qualificada e o empresário se sente atraído por onde tem dinheiro rodando, onde há distribuição de renda. A agricultura, nas culturas onde a gente tem na Codevasf, que é hortifruti, ela gera muito emprego e isso a gente acaba distribuindo a renda com geração de emprego, de fato.
É com desenvolvimento, então, né? Irrigação, água e desenvolvimento para quem vive nas áreas.
Exatamente. Então, a gente trabalha também com arranjos produtivos locais, que são aglomerações onde os produtores se organizam. Então, a Codevasf, ela chega na comunidade e vê a vocação dessa comunidade, não só com produção agrícola, mas com outros arranjos, como apicultura, como a cadeia do açaí, que agora a gente, presente no Norte, teve que estudar e aprender. Tem piscicultura, carcinicultura, enfim, uma infinidade de projetos.
Apoio à moda, por exemplo, que com uma simples máquina de costura em Minas Gerais, hoje, as costureiras ali, mulheres empoderadas, têm condições e têm um shopping, inclusive, enfim. São uma série de ações da Codevasf para impulsionar o pequeno produtor.
O senhor fez referência aí aos chamados arranjos produtivos locais, né? O senhor poderia explicar mais sobre como funciona o apoio da Codevasse a esse tipo de produção? Que tipo de projetos entram?
Então, é como eu falei, a gente, ao longo dos 16 estados, 15 mais o DF, a gente entende já a vocação que existe nas comunidades, né? Então, a gente tem, as pessoas já se organizam produzindo mel e a gente identifica de que forma a gente pode ajudar, desde equipamentos de segurança, seja numa formação ali de profissionalizante, seja na estruturação das cooperativas ou das associações até equipamentos de fato, né? Equipamento de beneficiamento desse mel que é cultivado e equipamento de mecanização agrícola de fato. Mecanização agrícola que pode ser um ganho para uma família ali, que às vezes vai ficar preparando a terra uma semana, com a mecanização agrícola, em uma hora ela resolve um hectare. Então, tem grande importância.
E as equipes técnicas, né, que estão no local, que estão nas superintendências, elas entendem a nossa necessidade desses arranjos e atuam para potencializar e dar independência.
São ferramentas, então, específicas para cada tipo de produção. Do mel, a do açaí no norte, para a piscicultura, é isso?
Isso, é isso. A gente, nossa atuação no norte, por exemplo, é nova. A gente não tinha sequer empregados daquela região do país. Então, a gente chega e a gente tem que entender como funciona, como eles estão organizados para ver como é que a gente pode melhorar.
A gente tinha um problema lá, em relação ao barbeiro, e a gente teve que atuar com equipamentos para trazer, inclusive, segurança para eles, na vocação que eles já têm, na produção que eles já tinham lá da extração da açaí.
E quanto foi investido nesses arranjos produtivos locais, qual é o orçamento para isso?
Só em arranjos produtivos locais, desde 2023, no governo Lula, a gente investiu R$ 2 bilhões. É claro que, em todas essas frentes, sejam equipamentos de segurança ou equipamentos mais modernos, e cada real investido em APL, a gente tem um retorno muito maior, a gente consegue trazer mais transformação com menos investimento nos APLs.
Então, a gente tem perspectiva de continuar com esse investimento alto em APL para os próximos anos agora.
