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Missão Empresarial Brasil – África: ‘é uma parceria de ganha-ganha’, diz presidente da Embrapa

2 de fevereiro de 2026
Missão Empresarial Brasil - África: 'é uma parceria de ganha-ganha', diz presidente da Embrapa
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Em entrevista à Voz do Brasil, Silvia Massruhá falou sobre a transferência de tecnologia realizada durante o evento entre os países africanos e o Brasil

A 5ª Missão Empresarial Brasil – África teve início na quinta-feira (29/1),  e está levando oportunidades de negócios em mercados africanos a empresas e instituições brasileiras. As cidades de Cotonou (Benim), Nairóbi (Quênia), Kigali (Ruanda) e Adis Abeba (Etiópia) sediam os encontros, que seguem até a sexta (6/2), e abordam temas como agronegócio, indústria e serviços. Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o evento trará benefícios mútuos. 

A gente leva, mas ao mesmo tempo a gente coleta informações para que a gente possa trazer e estimular a ciência e inovação no nosso País. É um ganha-ganha para os dois países. É uma cooperação técnico-científica com oportunidades para os dois países”, definiu a presidente em entrevista à Voz do Brasil desta segunda-feira (2/2).

Realizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a programação inclui seminários, reuniões de negócios e visitas institucionais voltados à prospecção de mercado e ao desenvolvimento de parcerias.

“A missão está indo para vários países africanos, estão discutindo desde a transferência de tecnologias, onde a Embrapa, seja na área vegetal, na área de produção de algodão, na área de produção de caju, em Benim, tem discutido muito na área de produção animal, transferência de embriões, inseminação artificial, a parte de pastagens, tudo isso são tecnologias que a Embrapa gera no Brasil, e a gente está discutindo como que isso pode ser adaptado para a realidade da União Africana”, explicou Silvia Massruhá.


Confira os principais trechos da entrevista:

Presidente, então vamos conversar um pouquinho que amanhã a senhora vai pra África para participar da inauguração desse escritório que a gente falou agora há pouco. Qual é a função desse espaço e o que muda na prática? Qual é a presença permanente do Brasil lá?

Bem, a Embrapa cada vez mais tem sido demandada pra fortalecer a cooperação Sul-Sul.
Como uma empresa referência em agricultura tropical, a gente tem sido muito demandado, principalmente pelos países africanos. Então, a criação desse escritório foi justamente pra ter uma representação da Embrapa na Etiópia, em Adis Abeba, porque ali estão 54 países da União Africana. E aí nós estamos trabalhando no modelo pra criar um modelo mais autossustentável dessa parceria Brasil-África.

A Embrapa já teve, em outros momentos, algumas missões na África, trabalhando em vários projetos conjuntos, mas depois que essas missões acabam, muitas vezes esses projetos não são dados continuidade. Então, no modelo que a gente está desenvolvendo agora, nós criamos um projeto, para primeiro fazer um diagnóstico de quais são essas demandas, porque elas chegam muito pulverizadas em diversos países da África. Mais do que levar só a transferência de tecnologia, um modelo pra ajudar no desenvolvimento econômico, no desenvolvimento rural. E é uma oportunidade de parceria público-privada também, né.

Essa missão, inclusive, que está lá na África, está discutindo, inclusive, essa parceria público-privada. Além da transferência de tecnologia, né, adaptação das tecnologias pra agricultura tropical, mas para a realidade da África, como nós fizemos pra nossa realidade brasileira, né, a gente está discutindo oportunidades de mercado conjunto.

E, presidente, a gente falou agora há pouco da Missão Empresarial Brasil-África, que teve início na semana passada, né.
Qual o papel da Embrapa nesse evento?

Então, como você comentou, a missão está indo pra vários países africanos, estão discutindo desde a transferência de tecnologias, onde a Embrapa, seja na área vegetal, na área de produção de algodão, na área de produção de caju, em Benim, tem discutido muito na área de produção animal, transferência de embriões, inseminação artificial, a parte de pastagens, tudo isso são tecnologias que a Embrapa gera no Brasil, e a gente está discutindo como que isso pode ser adaptado pra realidade da União Africana, né, desses países. E, principalmente, as políticas públicas que a gente desenvolveu aqui que impulsionaram e diminuíram a nossa, vamos dizer, diminuiram a nossa insegurança alimentar, né. Então, acho que com esse foco é o que a gente também está discutindo nessa missão nesses países, né, no Benim, Quênia, Ruanda e Etiópia.

No agronegócio, quais são as cadeias produtivas que despertam o maior interesse lá?

Olha, tem muita discussão na área de cana de açúcar, na questão de produção de álcool também, de algodão, e na área de produção animal também tem. Café também, na verdade, é uma troca de conhecimento, na produção de café com eles também, que tem sido bem interessante, que são as principais áreas que a gente está discutindo e trabalhando aí nessa missão.

E que tipo de conhecimento e soluções a Embrapa está levando?

Então, a gente leva, porque muitas vezes o pessoal fala assim, ah, a gente queria ter acesso ao material genético da Embrapa para trazer para os outros países, mas a gente sempre explica que não adianta levar o material genético, porque o material genético, muitas vezes, ele foi adaptado para o nosso tipo de solo e clima.

Então, a gente tem trabalhado aqui, na maioria das vezes, que a gente tem que trabalhar com um outro modelo, um modelo de política pública. Então, por exemplo, no nosso país, nós temos o planeamento agrícola de risco climático, que é uma política pública que você discute o que plantar, quando e onde, mas com as condições climáticas do Brasil. Então, nós temos que desenvolver um modelo, uma política pública parecida, que envolve muito mais do que o material genético em si, para estabelecer com esses países.

Isso na área vegetal e na área animal também, ver a questão do melhoramento genético, transferência de embriões e pastagens que mais se adaptam para a realidade africana. Então, nós estamos levando essas tecnologias para discutir e um modelo de capacitação e transferência. Muito mais do que a Embrapa ir lá e levar as tecnologias, ela também criar multiplicadores, pesquisadores, nesses países da África, para que eles possam dar continuidade e seja um modelo sustentável, para que quando a Embrapa ou outros parceiros voltem para o Brasil, esse programa tenha continuidade e impacto nos países da União Africana.

A gente está vendo que a Embrapa tem muito a oferecer, até a ensinar aos países africanos. Mas quais são os resultados que a Embrapa espera alcançar a partir dessa parceria?

Na verdade, quando a gente trabalha no modelo de transferência de tecnologia, no modelo de pesquisa, inovação e transferência de tecnologia, ao mesmo tempo que a gente leva as tecnologias e discute, a gente também identifica oportunidades de pesquisas novas, que podem colaborar para as nossas pesquisas, novos desafios para a gente desenvolver aqui no país e novas oportunidades, inclusive de mercado, para produtores brasileiros também. Então, como eu digo, é uma parceria de ganha-ganha.

A gente leva, mas ao mesmo tempo a gente coleta informações para que a gente possa trazer e estimular a ciência e inovação no nosso país.

É bom para eles e para a gente?

É um ganha-ganha para os dois países. É uma cooperação técnico-científica com oportunidades para os dois países.

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