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Dívida pública fica dentro da meta em 2025 e Tesouro tem sólida reserva de liquidez

29 de janeiro de 2026
Dívida pública fica dentro da meta em 2025 e Tesouro tem sólida reserva de liquidez
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O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, dentro dos limites estabelecidos (entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões para o ano), conforme fixado na revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF), em setembro do ano passado.

Tópicos da matéria
2026 Detalhamento 2025 Colchão de liquidez Tesouro Direto

O valor representa aumento, em termos nominais, de 1,82% sobre o estoque registrado ao final de novembro (R$ 8,480 trilhões), e de 18% sobre o estoque do final de 2024 (7,316 trilhões). A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) encerrou 2025 em R$ 8,309 trilhões, ante R$ 8,165 trilhões, em novembro passado, e R$ 6,966 trilhões, ao término de 2024.

Os dados foram divulgados na tarde de quarta-feira (28/1) pelo Tesouro Nacional, em entrevista na qual foram apresentados o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 e o Relatório Anual da Dívida (RAD) de 2025. Os dados foram detalhados pela equipe da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), em coletiva liderada pelo secretário do Tesouro, Rogério Ceron, com transmissão ao vivo pela internet.

“Os indicadores ficaram dentro dos limites, após a revisão do PAF, fomentada pela boa demanda do mercado”, apontou Ceron. Ele destacou o equilíbrio da distribuição da dívida por indexadores, todos dentro das bandas planejadas: prefixados (22%), índice de preços (25,9%), flutuantes (48,3%) e câmbio (3,8%). “Foi um ano em que o nosso grande desafio era manter ou reduzir pouco a composição de prefixados e não deixar que taxa flutuante aumentasse demais. Essa foi a grande conquista que tivemos”, completou o secretário.

“No ano passado conseguimos ter uma gestão mais equilibrada na emissão dos indexadores da dívida; com um bom balanço em todas as opções que foram postas”, disse o subsecretário da Dívida Pública, Daniel Cardoso Leal, ao ressaltar que foi suprida de forma eficiente a missão de atender as necessidades de financiamento do Governo Federal sob a melhor equação entre custo e risco.

“Temos diretrizes de longo prazo, pela substituição gradual dos títulos em taxa flutuante para prefixados e índices de preços, uma suavização da curva de juros, a criação de pontos de referência, o bom funcionamento do mercado, a diversificação da base de investidores”, completou o subsecretário.

O custo médio do estoque seguiu abaixo da taxa básica de juros, se beneficiando de uma composição diversificada, destacou o secretário do Tesouro. “Com a Selic média de 14,33%, custo da dívida ficou perto dos 12%”, afirmou Ceron.

2026

O PAF 2026 estabelece limites para a evolução da Dívida Pública de 2026: entre o mínimo de R$ 9,7 trilhões e o máximo de R$ 10,3 trilhões, considerando o estoque no final do ano. Para este novo exercício, o Tesouro aponta a possibilidade de aumento da participação dos títulos prefixados; expectativa de estabilidade na composição de títulos com juros flutuantes; além de estrutura de vencimentos com baixa participação de dívida no curto prazo.

O PAF 2026 projeta uma necessidade líquida de financiamento de R$ 1,677 trilhão para 2026. Esse valor decorre, sobretudo, dos vencimentos da dívida interna, que totalizam R$ 1,538 trilhão — a parcela mais significativa da DPF. A esse montante somam-se os vencimentos da dívida externa em poder do mercado e os juros da carteira do Banco Central, que, por determinação legal, não podem ser refinanciados.

A equipe do Tesouro apresentou as estratégias do PAF para 2026, ano que será marcado pela ampliação da atuação brasileira nos mercados internacionais. Está programado aumento da frequência e do volume de emissões em dólares americanos; retorno ao mercado europeu com emissões de euro, para desenvolver uma curva de referência; assim como emissão inaugural em yuan, expandindo presença em diferentes segmentos geográficos e perfis de investidores.

Tudo isso está alinhado ao plano de longo prazo, que prevê a convergência para 7% da DPF em instrumentos da DPFe (cambiais). Haverá continuidade na política de emissões de títulos sustentáveis, além de gestão ativa da dívida externa, com operações de buyback (recompra).

material técnico:

Acesse o Plano Anual de Financiamento (PAF) 2026
Acesse o Relatório Anual da Dívida (RAD) 2025
Acesse os dados do Relatório Mensal da Dívida (RMD) de dezembro de 2025

Detalhamento 2025

A evolução da base de investidores ao longo de 2025 indica diversificação da dívida mobiliária interna, destaca o Tesouro Nacional. Ao final do ano passado, as Instituições Financeiras terminaram o ano como os principais detentores dos títulos da dívida, com participação de 32,9% na DPMFi, seguidas por Previdência (22,8%), Fundos de Investimento (20,8%) e Não-residentes (10,3%).

“É positivo quando a participação de não residentes está acima de 10%. Temos visto essa demanda dos investidores estrangeiros”, pontuou Ceron.

Colchão de liquidez

A reserva de liquidez permaneceu em níveis confortáveis em 2025, garantindo ao Tesouro Nacional maior flexibilidade para ajustar sua estratégia de emissões às condições de mercado.

Em dezembro de 2025, o saldo do colchão de liquidez totalizou R$ 1,19 trilhão, o equivalente a 7,3 meses de vencimentos da dívida em mercado, portanto bem acima do nível prudencial de 3 meses.

O fato de 2025 ter registrado um volume de emissões maior que a de vencimentos permitiu robustecer a reserva de liquidez. “A estratégia de ter um colchão de liquidez maior permite dar mais segurança para a gestão da dívida atuar e não trazer volatilidade ao mercado”, apontou Rogério Ceron.

A reserva registrada ao final de 2025 é suficiente para cobrir todo o primeiro semestre (R$ 764,1 bilhões, em mercado), com alguma folga para os vencimentos do segundo semestre de 2026.

Conforme informou o Tesouro, a média de emissões da DPF no primeiro semestre do ano passado foi de R$ 163 bilhões por mês, caindo para R$ 140 bilhões mensal durante o segundo semestre. No total, o ano registrou emissões de R$ 1,902 trilhão e resgates de R$ 1,463 trilhão, resultando em emissão líquida de R$ 439,062 bilhões.

Destaque de 2025 foi a captação de US$ 10,8 bilhões em quatro emissões externas, volume recorde para a série histórica. Dando continuidade às emissões sustentáveis, o Tesouro Nacional captou US$ 1,5 bilhão com um novo benchmark de sete anos: o GLOBAL 2033 , emitido em novembro de 2025.

Tesouro Direto

O estoque do programa Tesouro Direto alcançou R$ 213,240 bilhões em dezembro, o que representa um aumento de 3,81% em relação ao mês anterior. O título com maior representação no estoque é o Tesouro Selic, que corresponde a 37,21% do total.

As emissões do Tesouro Direto em dezembro atingiram R$ 9,475 bilhões, enquanto os resgates corresponderam a R$ 3,525 bilhões, o que resultou em emissão líquida de R$ 5,949 bilhões. O título mais demandado pelos investidores foi o Tesouro Selic, que respondeu por 51,46% do montante vendido.

A STN destaca que houve aumento de 153% nas vendas líquidas do programa em relação a 2024; além de alta de 14% no número de investidores ativos (3,436 milhões, ao final de 2025; ante 3.014 milhões, ao término de 2024. O balanço do Tesouro aponta ainda que, no ano passado, a linha Renda+ contou com R$ 10,4 bilhões investidos; o Educa+ atraiu 194,6 mil investidores e 31 mil estudantes atendidos pelo programa Pé-de-meia começaram a investir no Tesouro Direto.

A STN destacou também que 2ª edição da Olímpiada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef), em 2025, ofereceu aos alunos conhecimentos fundamentais sobre finanças pessoais, investimentos e economia. Esta mais recente edição contou com a participação de 1.755.186 estudantes.

A coletiva do Tesouro para a apresentação do PAF 2026 e do RAD 2025 foi realizada no edifício do Ministério da Fazenda, em Brasília. Além de Rogério Ceron e Daniel Cardoso Leal, a entrevista também contou com as participações do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública substituto, Leandro Enrique Espino; do coordenador-geral de Controle e Pagamento da Dívida Pública, Leonardo Martins Canuto Rocha; do coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luiz Fernando Alves; e da coordenadora-geral do Tesouro Direto, Thayssa Mendes Tavares.


Confira a coletiva do Tesouro Nacional que apresentou o Plano Anual de Financiamento de 2026 e o Relatório Anual da Dívida   de 2025

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